Dez meses depois de ter sofrido diversos AVC e de os médicos terem indicado que tinha 70% do cérebro «morto», após ter consumido marijuana sintética, a adolescente norte-americana Emily Bauer voltou ao liceu e às aulas, algo que os pais pensaram que não seria possível.

De acordo com a CNN, e apesar dos cuidados familiares, Emily, com 17 anos, enfrenta agora uma realidade completamente nova em Cypress, local onde reside no Estado do Texas. Uma realidade marcada pela dramática recuperação depois de ter consumido droga sintética e de ter ficado cega e paralisada.

Há menos de um ano, a 7 de dezembro de 2012, Emily deu entrada no hospital com um surto psicótico, com comportamento violentos, alucinações e urinando-se. De acordo com os familiares, a adolescente tinha dito ao namorado que precisava de descansar porque lhe doía a cabeça e acordou uma pessoa diferente.

A 16 de dezembro, os pais decidiram desligar o tubo de respiração e parar toda a medicação, após os médicos lhes terem indicado que pelo menos 70% do cérebro de Emily estava morto e que ela provavelmente nem iria reconhecer a família ou dar-se conta do sítio onde estava, nem comer sozinha ou conseguir mexer braços e pernas, se viesse a recuperar do coma induzido.

Ao contrário das expetativas, na manhã seguinte Emily recuperou os sentidos e reconheceu mesmo os familiares, embora permanecesse mentalmente confusa e paralisada. Dois meses depois, em fevereiro de 2013, começou mesmo a mover os braços e as pernas e a comer alimentos sólidos.

Emily Bauer, na altura com 16 anos, tinha comprado o produto numa estação de serviço e terá fumado a droga durante semanas antes do AVC. Tal como acontece nas «smartshops» em Portugal, diversas drogas sintéticas são vendidas legalmente nos Estados Unidos, embora seja apresentada como incensos ou adubos.

Recuperação dramática

Emily Bauer voltou a semana passada para o liceu em Cypress, mas não pode ler nem escrever. Está a aprender de novo as operações matemáticas básicas da adição e da subtração. Um elenco rotativo de coadjuvantes auxilia-a a levar a cabo o dia na escola. Transportam-na de uma aula para a outra, ajudam-na a ir à casa de banho, dão-lhe de comer, leem-lhe as matérias e tomam notas por ela. Emily Bauer vai às aulas de manhã e faz terapia à tarde.

Em entrevista telefónica à CNN, a jovem deixa uma mensagem a quem quer que queira experimentar «erva falsa».

«A pedrada é fantástica, mas a longo prazo não é bom», afirma, ao descrever a experiência de fumar marijuana sintética. «Não tem graça nenhuma estar presa numa cadeira de rodas, ter que ir à terapia ou (possivelmente) morrer», acrescenta.

Mas a jovem prefere concentrar-se naquilo que pode fazer, como obter um excelente resultado no primeiro teste a História Mundial. Para a estudante, o estar simplesmente de volta à escola é algo épico.

Consciencialização sobre as drogas sintéticas pela Emily

O caso de Emily é apresentado na página do Facebook de «SAFE, Synthetics Awareness For Emily» ( «Consciencialização sobre as (drogas) Sintéticas pela Emily»), a organização criada pelos familiares da adolescente para alertar as pessoas para os perigos e para os sintomas do uso de drogas sintéticas.

«Estamos a partilhar a história de Emily para alertar para os perigos do uso de marijuana/essências/incenso/potpourri legal. Independentemente do nome que lhe chamem é veneno para o corpo», declaram os familiares de Emily. Os mesmos familiares apelam também a quem tenha histórias semelhantes que as envie para que sejam colocadas na página.