A polícia e os serviços de inteligência norte-americanos e britânicos abriram uma caça ao homem pelo jihadista que apareceu no vídeo que mostra a decapitação do jornalista norte-americano James Foley. As autoridades estão a analisar as imagens do vídeo em busca de pistas sobre o extremista do Estado Islâmico, que tem sotaque britânico e é apelidado de «John».

Um ex-refém, que foi mantido em cativeiro durante um ano na cidade síria de Raqqa, afirma ao diário britânico «The Guardian» que «o assassino é o líder de um trio de extremistas nascidos no Reino Unido e a que os reféns chamam "The Beatles" por causa da nacionalidade».

«Nós falámos com um refém, hoje, que foi libertado há alguns meses e ele claramente identificou-nos este homem no vídeo», diz à Sky News o jornalista do «The Guardian» Martin Chulov. «Ele era o líder da matilha, alguém que foi muito assertivo e foi responsável pela negociação com as famílias de reféns e, certamente, falou com muitas mães, pais e as esposas no Skype», acrescenta.

EUA tentaram resgatar jornalista decapitado mas falharam

Vestido de preto dos pés à cabeça e com a cara tapada foi o sotaque de «John» que chamou a atenção das autoridades. O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Philip Hammond, admitiu em entrevista à BBC na quarta-feira, dia da publicação do vídeo na Internet, a forte possibilidade de o autor da decapitação do jornalista James Foley ser de nacionalidade britânica.

Na edição desta quinta-feira, o «The Telegraph» garante que o extremista do Estado Islâmico que surge no vídeo é apelidado de «John» e é um cidadão nascido em Londres. O mesmo jornal também diz que o grupo a que «John» pertence, e do qual será o cabecilha, é identificado entre os restantes jihadistas como «Os Beatles», visto que dele fazem parte três cidadãos britânicos.

O «The Telegraph» diz ainda que as autoridades britânicas e norte-americanas, FBI, estão a trabalhar em conjunto para confirmar a identidade e localização do extremista, alegado membro de um grupo de jihadistas especializado na tomada de reféns.

«John», o alegado autor da execução de James Foley, é descrito pelo «The Telegraph» como alguém educado e inteligente, mas muito comprometido com os ideais do grupo extremista que lidera e cuja sede está instalada no reduto rebelde sírio de Raqqa.

Mais de 500 jihadistas britânicos ao serviço do ISIS

A existência de cidadãos britânicos entre os combatentes ao lado do Estado Islâmico no Iraque e na Síria não é novidade, mas especialistas alertam agora para o facto de estes estarem entre os assassinos mais «corrompidos e insensíveis» da região.

De acordo Shiraz Maher, do Centro Internacional para o Estudo da Radicalização do King's College, de Londres, ouvido pelos jornais «The Telegraph» e «The Independent», os mais de 500 cidadãos britânicos que se sabe terem viajado para a Síria e para o Iraque tornaram-se mais «arrogantes» nos últimos meses.

Para o especialista, a decapitação filmada do jornalista norte-americano é a prova de que os militantes do Reino Unido já não se limitam a ser soldados do terreno que alinham ao lado do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS) mas têm chegado a posições de topo dentro da organização.

«É a primeira vez que vemos o ISIS a adotar esta abordagem extremamente agressiva e diretamente dirigida ao mundo ocidental com a execução de James Foley. Se isso se intensificar, podem começar a enviar os soldados britânicos de volta para casa para levarem a cabo esses ataques lá», diz o especialista. Shiraz Maher alerta que se trata de «uma ameaça muito séria».