Uma pivot norte-americana do canal russo de notícias com emissão em inglês, RT (Russia Today) anunciou, em direto, que se demitia do cargo por «não poder fazer parte de uma televisão financiada pelo governo da Rússia que branqueia as ações de Putin».

«Tenho orgulho de ser americana e acredito na divulgação da verdade», afirmou Liz Wahl, na quarta-feira à noite, durante o noticiário emitido a partir das instalações da RT em Washington, nos EUA.

A jornalista explicou aos telespectadores como os avós fugiram da perseguição soviética durante a revolução húngara: «É por isso que, após este noticiário, eu demito-me».

De acordo com o «New York Daily News», a renúncia pública de Liz Wahl surgiu dois dias depois de uma outra jornalista televisiva, Abby Martin, ter condenado a intervenção militar russa na Ucrânia, também quando estava no ar.

«O que a Rússia fez está errado», disse Abby Martin na segunda-feira. «A intervenção militar nunca é a resposta, e eu não vou estar aqui sentada a desculpar ou a defender a agressão militar», sublinhou.

Na sequência das observações de Abby Martin, a RT divulgou, em comunicado, que todos os jornalistas da RT são «livres para expressar as próprias opiniões, e não apenas em privado, mas no ar». No mesmo comunicado, a RT garantiu que «não haverá absolutamente nenhuma represália contra Miss Martin».

Mas a RT também anunciou que Abby Martin vai ser enviada especial à Crimeia. «No seu comentário, miss Martin também observou que não possui um profundo conhecimento da realidade da situação na Crimeia», afirmou um porta-voz da RT. «Como tal, vamos enviá-la para a Crimeia para lhe dar uma oportunidade para formar a sua própria opinião a partir do epicentro da história», acrescentou.

Abby Martin já fez saber que não vai para a Crimeia, «apesar da declaração proferida pela RT».