Os Estados Unidos afirmaram este sábado que os resultados das eleições gerais no Zimbabué, que indicam uma vitória significativa do líder histórico Robert Mugabe, no poder há mais de 30 anos, não são «credíveis».

Num comunicado assinado pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry, Washington referiu que o processo eleitoral zimbabueano foi marcado por «irregularidades significativas».

«Os Estados Unidos não acreditam que os resultados hoje anunciados representam uma expressão credível da vontade do povo do Zimbabué», disse o chefe da diplomacia norte-americana.

Os zimbabueanos foram na quarta-feira às urnas em eleições gerais (presidenciais, legislativas e municipais), um escrutínio polémico disputado entre Robert Mugabe, de 89 anos, e o atual primeiro-ministro e principal rival político, Morgan Tsvangirai.

Mugabe, no poder desde a independência do país, em 1980, foi declarado vencedor das eleições presidenciais, na primeira volta, com 61% dos votos, segundo os resultados oficiais hoje divulgados. Morgan Tsvangirai, do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), conseguiu 34% dos votos.

A comissão eleitoral divulgou também hoje que o ZANU-PF (União Nacional Africana do Zimbabué-Frente Política), partido de Mugabe, assegurou cerca de 150 dos 210 lugares da Assembleia Nacional, passando a barreira dos dois terços de deputados no Parlamento do Zimbabué.

No mesmo comunicado, Washington salientou que as eleições eram uma oportunidade para o Zimbabué avançar para um caminho democrático e construir uma base de crescimento e de prosperidade.

Mas, segundo o chefe da diplomacia norte-americana, foram relatadas pelos observadores locais e regionais «irregularidades eleitorais significativas».

«Apesar de os Estados Unidos terem sido impedidos de acompanhar estas eleições, o balanço dos testemunhos indica que o anúncio de hoje é o culminar de um processo profundamente imperfeito», reforçou Kerry.

«Existiram irregularidades na preparação e na composição das listas de eleitores. As partes [envolvidas no escrutínio] tiveram um acesso desigual aos meios de comunicação estatais. O setor da segurança não protegeu o processo eleitoral de forma imparcial», concluiu o responsável norte-americano.