O antigo Presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek, que morreu em 1976 num acidente automóvel, foi assassinado pelos militares então no poder, afirmou na segunda-feira o presidente de uma comissão de inquérito em São Paulo.

«Não temos dúvida nenhuma de que Juscelino Kubitschek foi vítima de uma conspiração, de um complô e de um atentado político», declarou aos jornalistas Gilberto Natalini, presidente da Comissão Municipal da Verdade de São Paulo, encarregada do esclarecimento dos crimes da ditadura militar.

Um relatório completo sobre as circunstâncias da morte do antigo chefe de Estado brasileiro deve ser apresentado hoje, acrescentou, afirmando que o documento contém mais de 90 provas e indícios sobre a participação dos militares na sua morte, a 22 de agosto de 1976, numa estrada perto da cidade de Resende, próxima do Rio de Janeiro.

Juscelino Kubitschek foi Presidente do Brasil entre 1956 e 1961. Com o golpe militar de 1964, perdeu o mandato de senador e viu os seus direitos políticos suspensos.

O Brasil reconhece oficialmente 400 mortos e desaparecidos durante a ditadura militar, mas nenhum responsável foi levado à justiça, devido a uma lei de amnistia de 1979.