Parece um filme, mas aconteceu mesmo. Os 23 sobreviventes de um naufrágio na Indonésia têm uma incrível história para contar, que envolve uma ilha deserta, um vulcão e tubarões. Há ainda dois desaparecidos.

No sábado, o motor do barco que fazia a viagem de três dias entre as ilhas de Lombok e Komodo falhou durante uma tempestade. A embarcação andou à deriva até bater num recife, a cerca de cinco quilómetros da ilha de Sangeang.

O casco ficou tão danificado que o barco se afundou. Havia apenas um pequeno bote salva-vidas a bordo, pelo que depressa se aperceberam que não iam caber os 20 passageiros mais cinco tripulantes.

«Estavam seis pessoas no bote. Os outros apoiaram-se na parte do barco que não se afundou. Havia ondas muito grandes que nos estavam a afastar da costa», contou à AFP um dos sobreviventes.

«As pessoas começaram a entrar em pânico. Tomámos a decisão de nadar até à ilha mais próxima, onde havia um vulcão em erupção», acrescentou o francês Bertrand Homassel.

O grupo separou-se. Doze pessoas nadaram pelas águas repletas de tubarões durante seis horas. Entre elas, os dois turistas que continuam desaparecidos.

Segundo este francês, 10 pessoas atingiram a ilha deserta de Sangeang. Durante horas, sobreviveram bebendo a própria urina e comendo folhas.

O grupo dormiu lá até que, já no domingo, viram um barco a passar e começaram a abanar os coletes salva-vidas para atrair atenção. Estes foram os primeiros a ser salvos. «Tive muita sorte...», desabafou Bertrand Homassel.

Já na segunda-feira, foram resgatados os oito turistas e cinco indonésios que ficaram no mar. Alguns estavam dentro do bote, outros flutuavam na água com ajuda dos coletes salva-vidas. Estavam já muito longe do local do naufrágio, arrastados pela força da água, e foram salvos por pescadores.

No total, 23 pessoas foram encontradas, sendo 18 estrangeiros. Tratam-se de neozelandeses, britânicos, espanhóis, holandeses, alemães, franceses e italianos.

Já foram tratados e começam a ter alta dos hospitais indonésios. Vários continuam em choque. Dos hotéis onde estão instalados, ligaram para as famílias a dar a boa notícia: estão vivos.

As buscas continuam pelos dois desaparecidos.