O movimento da Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho lançaram, esta segunda-feira, um apelo às partes em conflito na Síria para obter acesso às áreas cercadas e pediram que se respeite o trabalho dos funcionários humanitários no país para levar alimentos e remédios às pessoas que deles necessitam.

De acordo com a agência EFE, as organizações pediram acesso «rápido» e «sem impedimentos» da ajuda, especialmente de atendimento médico para feridos e doentes. O apelo surgiu através de um comunicado conjunto assinado pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV), a Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho, assim como o Crescente Vermelho da Síria.«Os civis não deveriam ser forçados a abandonar casas para obter acesso a alimentos e a outros artigos de primeira necessidade», afirmam no comunicado.

O apelo surge depois de, no domingo, mais de 600 pessoas terem conseguido sair do centro histórico da cidade de Homs, depois de mais de um ano a enfrentar a fome e a privação de liberdade causadas por um dos cercos mais prolongados do conflito na Síria. Num ato de coragem, os civis, principalmente mulheres, crianças e velhos, fizeram grupos compactos e abrigaram-se junto aos veículos da ONU para tentar sair em segurança. O nervosismo marcou este momento de alta tensão, uma vez que no dia anterior a própria ONU foi alvejada na cidade.

As autoridades de Assad e os combatentes rebeldes trocaram acusações de responsabilidade pelos ataques, no sábado, que impediram a entrada de uma equipa conjunta da ONU e do Crescente Vermelho no centro histórico de Homs. O comboio foi atacado enquanto os agentes humanitários entregavam alimentos e suprimentos médicos no distrito onde a ONU diz que 2.500 pessoas estão retidas por um cerco militar desde meados de 2012. A área é dominada por rebeldes, mas está cercada pelo Exército sírio.

O conflito na Síria já matou 130 mil pessoas, deixou milhões sírios desalojados e devastou bairros inteiros, particularmente em Homs, onde os protestos contra os 40 anos de governo da família Assad eclodiram em 2011.

Os representantes do governo de Bashar al-Assad e da oposição síria voltaram esta segunda-feira à mesa de negociações na Suíça, na segunda ronda da conferência de paz Genebra 2. Com a mediação do emissário especial das Nações Unidas e da Liga Árabe, Lakdhar Brahimi, os dois lados em conflito tentam avançar no delicado tema da transição política.