O tufão Haydan das Filipinas e a seca na Austrália foram dois dos fenómenos meteorológicos extremos de 2013 que comprovam mais uma vez os efeitos das alterações climáticas provocadas pelo Homem, alertou a agência meteorológica da ONU.

«Muitos dos eventos extremos de 2013 são consistentes com o que seria de esperar como resultado das mudanças climáticas induzidas pelo Homem», disse Michel Jarraud, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), no lançamento do relatório anual da agência sobre o clima.

«Vimos precipitação mais forte, calor mais intenso, e mais danos provocados por tempestades e inundações costeiras como resultado da subida do nível do mar - como o tufão Haiyan demonstrou tão tragicamente nas Filipinas», acrescentou.

A agência refere também dados da Austrália, segundo os quais os recordes de calor que o país registou no ano passado teriam sido «virtualmente impossíveis» sem as emissões humanas de gases com efeito de estufa.

Frio extremo na Europa e nos Estados Unidos, inundações na Índia, Nepal, norte da China, Rússia, Europa central, Sudão e Somália, neve no Médio Oriente e secas graves no centro da China e no Brasil foram outros fenómenos registados pela OMM.

Segundo o relatório, 2013 foi, a par com 2007, o sexto ano mais quente desde que há registos.

A temperatura média global das superfícies terrestre e oceânica em 2013 foi de 14,5 graus Celsius - 0,5ºC acima da média de 1961-1990 e 0,03ºC acima da média de 2001-2010, que já foi a década mais quente de que há registo.

Treze dos 14 anos mais quentes de que há registo ocorreram no século XXI e cada uma das três últimas décadas foi mais quente do que a anterior.

«O aquecimento global não para», alertou Jarraud. «O aquecimento dos nossos oceanos acelerou e em maiores profundidades. (...) Os níveis de gases com efeito de estufa estão em níveis recorde, o que significa que a nossa atmosfera e oceanos vão continuar a aquecer durante séculos. As leis da física não são negociáveis».

Os investigadores avisam há anos que é cada vez mais remota a possibilidade de limitar o aquecimento global a 2,0ºC acima dos níveis anteriores à Revolução Industrial - o objetivo da ONU.

No entanto, a comunidade internacional não consegue chegar a acordo sobre como fazer abrandar as emissões de gases com efeito de estufa - nomeadamente dióxido de carbono - lançadas pela indústria, pelos transportes e pela agricultura.

O Painel Internacional sobre Alterações Climáticas da ONU, que em 2007 ganhou o Nobel da Paz, alertou que as emissões globais de gases com efeito de estufa aumentaram em média 2,2% ao ano entre 2000 e 2010.

Entre 1970 e 2000, a média era de 1,3% ao ano.

Alguns especialistas dizem que, se as tendências atuais se mantiverem, o aquecimento até 2100 poderá ser de 4,0ºC ou mais, provocando mais secas severas, inundações, tempestades e fome para milhões de pessoas.