O abraço que o Papa Francisco deu a um homem desfigurado, no dia 6 de novembro, na Praça de São Pedro, em Roma, comoveu o mundo e causou impacto além da Igreja Católica. Depois de já ter revelado o que sentiu no momento em que o Sumo Pontífice o abraçou, Vinicio Riva conta agora o que mudou nele desde aquele dia.



«Quando ele me abraçou, eu tremi. Senti um grande calor humano», refere à CNN o homem de 53 anos. «Senti que voltei para casa dez anos mais novo, como se me tivesse sido tirado um peso de cima», acrescenta.

Vinicio Riva conta à reportagem da estação de televisão norte-americana que alguma coisa mudou nele desde o dia em que o Papa o abraçou e o beijou: «Sinto-me mais forte e mais feliz. Sinto que posso seguir em frente porque o Senhor protege-me».

O homem diz que gostaria de voltar a encontrar-se com Francisco. «Tenho esperança que ele me chame para que possamos ter um encontro cara a cara. Tenho muitas coisas para lhe dizer», afirma.

Questionado pelo jornalista sobre o que gostaria de dizer ao Papa, Vinicio Riva responde: «Isso é um bocado privado. É entre mim e ele».

Vinicio Riva foi ao Vaticano acompanhado da tia Caterina Lotto, de 68 anos. O italiano sofre de neurofibromatose, uma doença que além de desfigurar pode provocar dores muito fortes, surdez, problemas mentais, paralisia e mesmo cancro. Trata-se de um problema genético que não é contagioso, mas que obriga, muitas vezes, os doentes ao ostracismo, por causa da aparência física que lhes dá.

Vinicio Riva já passou por uma série de cirurgias ao coração, garganta e olhos e, muitas vezes, tem dificuldade em respirar em função da doença. Conta que é comum acordar com a roupa coberta de sangue das feridas que se abrem. Vinicio Riva mora com a irmã Morena, de 46 anos, que também sofre da doença, na área rural de Vicenza. Os dois herdaram a neurofibromatose da mãe, Rosália, que só desenvolveu os problemas após engravidar.

Vinicio Riva teve os primeiros sintomas da doença aos 15 anos e o incómodo agravou-se quando o pai o retirou da escola e o pôs a trabalhar com ele na construção civil. Hoje, Vinicio Riva trabalha numa casa de repouso. Nos tempos livres passeia de bicicleta pela localidade, come pizza com os amigos ou assiste a jogos de futebol, a sua paixão. Riva também gosta de ler romances e é conhecido por levar flores às enfermeiras sempre que tem de se submeter a um novo tratamento.