Na noite que antecedeu o 13.º aniversário do 11 de Setembro de 2001, Obama apresentou um plano de ação para travar o ISIS, a nova ameaça terrorista que assusta a América, desta vez com contornos ainda mais assustadores do que tinha a Al Qaeda.



O Presidente dos EUA anunciou que a América vai liderar uma «vasta coligação» para «degradar, derrotar e destruir» o domínio do Estado Islâmico em zonas do Iraque e da Síria.



Para muitos, foi um anúncio tardio. Mas o Presidente dos EUA entendeu ter sido no tempo certo, depois de ter reunido dados e recolhido apoios suficientes para delinear uma estratégia capaz de conter a ameaça do ISIS e «destruir» o Estado Islâmico.



«Com um novo governo iraquiano em funções, e depois de ter consultado os nossos aliados no estrangeiro e o Congresso em casa, posso anunciar que a América vai liderar uma vasta coligação para eliminar esta ameaça terrorista. O nosso objetivo é claro: vamos degradar, e em última instância destruir, o ISIS através de uma larga, consistente e sustentada estratégia de contra-terrorismo», explicou Obama.



O Presidente dirigiu-se aos americanos, fazendo uma garantia que, ao mesmo tempo, é também um aviso: «Os esforços dos EUA em combater o ISIS serão muito diferentes das guerras do Iraque e do Afeganistão. Não vai envolver tropas americanas a combater em solo estrangeiro. Esta campanha de contra-terrorismo será baseada num claro e duro esforço para eliminar o ISIS onde ele exista, usando o nosso poder aéreo e o apoio que iremos receber de forças no terreno».



Traduzido por linguagem menos codificada, os EUA vão liderar uma operação muito complexa, que poderá demorar dois a três anos (a Casa Branca admite que possa exceder o tempo do segundo mandato presidencial de Obama).



O conceito chave da comunicação de Obama é mesmo «contra-terrorismo». O Presidente usou-o para passar a ideia de que isto não é o início de uma nova guerra. «Utilizámo-la com sucesso, durante anos, no Iemen e na Somália».



Mesmo assim, Obama deixou claro que «além do Iraque, o ISIS também será atacado e eliminado da Síria», isto porque «os Estados Unidos não permitirão que terroristas como o ISIS tenham lugares seguros».



Menos de duas semanas depois de ter admitido que os «EUA ainda não tinham uma estratégia», Obama surgiu, assim, com um plano complexo, exigente, e que alguns especialistas militares consideram «ainda mais arriscado» do que a invasão do Iraque em 2003, porque, desta vez, fica bem mais difícil determinar «onde está o inimigo e quem são os bons, os não tão bons e os muito maus».



Para já, o Presidente avança sem autorização do Congresso. Para lá da opção política de Obama de não considerar este passo uma «nova guerra», há ainda que aprovar um pedido da Casa Branca, na ordem dos cinco mil milhões de dólares, no sentido de que o Congresso financie este esforço.



Barack Obama lembrou ainda que o seu secretário de Estado, John Kerry, iniciou périplo pelo Médio Oriente e, a seguir, também pela Europa, «no sentido de se assegurar a mais vasta coligação possível para este esforço, sobretudo junto do mundo árabe, de onde surgem as principais vítimas do ISIS».



O Presidente dos EUA fez questão de separar o ISIS da terminologia de «Estado Islâmico», porque, considera Obama, «uma organização terrorista não é um Estado e uma organização que comete atrocidades não é de uma religião».



Obama lembrou êxitos da sua presidência no combate ao terrorismo (morte de Bin Laden, recuo da Al Qaeda), mas assumiu que o «terrorismo continua a ser ameaça à América».



Sinal de que o discurso de Obama passou bem até em certos setores republicanos: Newt Gingrich, antigo «speaker» do Congresso e agora comentador da CNN, reconheceu: «Foi um discurso forte, com uma noção correta de que esta é umé uma operação da América e não só de Obama. Talvez tirasse a referência ao Iemen e à Somália, mas no resto, acho sinceramente que foi um discurso forte».