A reeleição de Obama foi há quase um ano, as eleições intercalares para o Congresso são já em novembro de 2014.

O calendário político na América não tem férias e dentro de poucos meses vai começar a sério a corrida presidencial para 2016.

Na prática, ela já começou. Quando a eleição é aberta nos dois campos, é normal que esse período seja alargado.

Há vários dados que ainda não foram lançados e que marcarão as decisões finais: será que a dupla crise vai forçar os republicanos a recentrarem-se, obrigando a um recuo do Tea Party?; como se comportará o sistema de Washington nos próximos «deadlines» em janeiro e fevereiro; que implicações eleitorais existirão daqui a um ano nas «midterms»?; vão os republicanos manter o controlo da House?; conseguem os democratas conservar a vantagem que têm no Senado?

Sem que estas dúvidas se desfaçam (e isso demorará um ano a acontecer), qualquer tipo de antecipações sobre quem será o sucessor de Obama não passam de meros jogos de adivinhação.

Mas há tendências que já se desenham. Do lado democrata, a questão é mesmo uma: vai ou não Hillary candidatar-se? Se o fizer, só um terramoto eleitoral a impedirá de ser a próxima nomeada presidencial do seu partido.

As sondagens são claras: Hillary tem entre 35 e 50 (!) pontos de vantagem sobre os seus possíveis concorrentes.

Em 2007, nas primárias para 2008, ela também tinha uma grande vantagem sobre Obama? Certo. Mas, ainda assim, as situações não são comparáveis. Por um lado, será muito difícil que um fenómeno tão inesperado e «out of the box» como a Obamania se repita para 2016. Depois, a diferença entre Hillary e Obama nunca passou dos 30 pontos percentuais.

Desta vez, a vantagem da antiga secretária de Estado é gigantesca. As últimas sondagens dão-lhe mais de 60% das intenções de voto entre os democratas, sendo que outros possíveis candidatos como Joe Biden (vice-presidente), Elizabeth Warren (senadora pelo Massachusets), Martin O'Malley (governador do Maryland) ou Andrew Cuomo (governador de Nova Iorque) não atingem, sequer, os dois dígitos.

Sim, é verdade: na política americana o nível de imprevisibilidade é enorme. Mas um cenário como este torna a corrida presidencial democrata um caso praticamente fechado, desde que Hillary queira mesmo tentar uma segunda candidatura, depois da perda, à reta da meta, para Barack Obama, em 2008.

A coisa muda completamente de figura quando olhamos para o campo republicano.

A direita americana atravessa uma séria crise de identidade. Basicamente, não sabe para que lado se há-de virar.

As derrotas recentes (presidenciais de há um ano; recuo na dupla crise do início de outubro) tornariam prudente um recentramento político, que poderá beneficiar as pretensões presidenciais de nomes como Jeb Bush (ex-governador da Florida, irmão e filho de antigos presidentes) ou Chris Christie (o governador da Nova Jérsia, politicamente incorreto e que pensa pela própria cabeça).

Mas a força do Tea Party continua a ser imensa. E há pelo menos três nomes da direita mais acirrada que já preparam a corrida para 2016: os senadores Ted Cruz, do Texas (o novo «tea party darling», desde que discursou 21 horas seguidas contra o ObamaCare), Marco Rubio, da Florida (filho de cubanos), e Rand Paul, do Kentucky (filho de Ron Paul, o eterno candidato libertário).

Duma ala ainda mais dura poderão surgir Rick Perry (governador do Texas), Rick Santorum (o único que desafiou verdadeiramente a nomeação de Romney) ou Sarah Palin (vice de McCain em 2008).

Pelo meio, surgem um nome com características mistas, entre a moderação e o radicalismo: Paul Ryan, que foi candidato a vice de Romney. Pode até ser que, entre a confusão que reina no Partido Republicano, o congressista do Wisconsin apareça como a solução mais consistente.

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue Casa Branca