É muito mais popular que o marido, mas isso também não era difícil: depois da fase de «Obamania» da campanha de 2008, Barack Obama tem sido, nestes cinco anos de mandato na Casa Branca, um presidente com fracos índices de aprovação.

Michelle LaVaughn Robinson Obama, que hoje completa 50 anos, é uma das Primeiras Damas mais bem sucedidas da história americana.

Advogada de profissão, tirou Direito em Harvard (como Barack) e Sociologia em Princeton (com tese sobre a questão racial nos meios universitários).

Ao contrário de Barack, Michelle não tem ascendência mista: todas as raízes familiares são negras e Obama até lembrou, na primeira campanha, que «Michelle é descendente de escravos do sul, alguns deles até podem ter ajudado a construir a Casa Branca».

Nascida a 17 de janeiro de 1964 (completa assim, esta sexta-feira, meio século), em Chicago, filha de um antigo técnico de caldeiras envolvido no Partido Democrata (Frasier) e de uma secretária que viria a ficar desempregada em idade ativa (Marian), irmã de Craig, treinador de basquete e antigo jogador da NBA, Michelle é produto da típica família negra do «south side» de Chicago.

A vida dos pais de Michelle nunca foi fácil, sobretudo depois do desemprego de Marian.

Mas a aposta na educação dos filhos sempre foi prioritária.

No caso de Michelle, os dois cursos em universidades «Ivy League» confirmaram os méritos dessa aposta. Rapidamente, a jovem advogada encontrou lugar na «Sidley Austin», firma de Chicago onde Michelle teve como Barack como estagiário.

Uns tempos depois de se conhecerem, Michelle lá aceitou o convite de Barack para irem comer um gelado da «Baskin & Robbins». O resto da história é conhecido.

Em contraste com o casal Clinton, que terá resistido a todos os escândalos em que Bill se viu envolvido graças às sólidas ambições políticas de Hillary (que poderão vir a ter como auge a sua eleição presidencial em novembro de 2016), Michelle não tem ambições políticas próprias.

Assumiu uma visão discreta do posto (não oficial, mas muito importante) de Primeira Dama. Tem uma agenda própria e dedica-a, quase em exclusivo, à luta contra a obesidade infantil, por hábitos de vida saudável.

Numa América com percentagens escandalosas de gente com peso a mais, é cedo para cantar vitórias, mas os últimos anos têm mostrado ligeira redução do problema entre os mais jovens.

Em nome dessa causa, já dançou ao vivo em «prime time» na TV com Jimmy Fallon e fez flexões no programa de Ellen (sempre com muito estilo, no seu registo «cool»).

Tem respeitado a longa tradição de apoio que as Primeiras Damas americanas dão às famílias de quem soldados em zonas de conflito (marca de gerações nos EUA), tarefa que tem partilhado com Jill, a mulher do vice-presidente Joe Biden.

A festa dos 50 anos de Michelle está marcada para amanhã, sábado, no East Room da mansão presidencial. E o tema da festa não poderia ser mais informal: «Snacks & Sips & Dancing & Dessert» (Aperitivos, bebidas, dança e sobremesa».

Não quer ser a primeira mulher negra presidente dos EUA. Mas há muito que Michelle Obama é já uma Primeira Dama respeitada pela América.

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»