Barack Obama completa hoje 53 anos de vida. Mas não terá muitas razões para comemorar.

Com a frente externa «on fire», o 44.º Presidente do EUA tem que provar que a América poderá ainda ser um «player» decisivo em questões como Israel/Gaza, o desmembramento do Iraque ou o conflito no Leste da Ucrânia.

E, até agora, a resposta não é claramente favorável aos interesses americanos (sobretudo na relação cada vez mais tensa e distante com Israel, que explicará a falta de capacidade dos EUA em travarem a escalda da violência em Gaza).

No plano interno, os próximos meses serão decisivos.

Caso os democratas não aguentem a curta vantagem que têm no Senado, Barack Obama corre o risco de ter um final de segundo mandato muito complicado.

Se quase toda a história da sua presidência tem sido de «gridlock» na relação com um Congresso excessivamente republicano, uma derrota a toda a linha nas «midterms» de novembro pode vir a ditar uma «sentença de morte política» definitiva para a agenda de Obama.

Ciente desse risco, Obama estará mesmo a ponderar avançar com uma proposta de reforma de Imigração que não exija aprovação na Câmara dos Representantes.

As recentes votações da «House» confirmam os piores sinais: os republicanos não estão dispostos a aprovar medidas que facilitem a legalização de imigrantes ilegais. Nancy Pelosi, antiga «speaker» do Congresso e líder da agora minoria democrata na House, desabafou no Facebook: «Os congressistas republicanos atingiram um novo mínimo ao votarem pela deportação de quem quer abraçar o sonho americano e impedem crianças inocentes de fugirem à violência. Total inconsciência».

Mas nem tudo será mau para o primeiro Presidente negro da América, na altura em que completa 53 anos.

Os mais recentes dados económicos são particularmente favoráveis: os EUA cresceram 4% no segundo trimestre de 2014, muito acima do previsto (o maior crescimento desde o segundo trimestre de 2013). O consumo das famílias, o investimento privado e as exportações explicam esta recuperação animadora da económica americana e anunciam um ambiente favorável para a reta final do seu mandato.

Investido como 44.º Presidente dos EUA aos 47 anos, Barack Obama foi o quarto Presidente eleito mais jovem da história da América. Só JFK (43 anos), Bill Clinton (46) e Ulysses Grant (46) eram mais novos no momento da primeira eleição.

No pólo oposto do bilhete de identidade, Ronald Reagan mantém o título de Presidente mais velho em funções: foi eleito pela primeira vez a duas semanas de completar 70 anos e reeleito quase com 74 anos. John McCain tentou bater esse recorde na eleição de 2008: ainda obteve a nomeação presidencial republicana, mas perdeu a eleição geral para Barack Obama.

A 4 de Agosto de 1961, faz hoje 53 anos, nascia no Hospital Ginecológico Kapiolani de Honolulu, no Havai, Barack Obama Hussein Obama II, filho de Ann Dunham, antropóloga branca do Kansas, e de Barack Hussein Obama I, economista queniano natural de Kogelo, da tribo Luo, que ganhou uma bolsa para estudar na América.

Em mais de 220 anos de História (desde a tomada de posse de George Washington, em 1789), apenas seis Presidentes americanos completaram 50 anos em pleno exercício de funções na Casa Branca: James Polk, Ulysses Grant, Grover Cleveland, Theodore Roosevelt, Bill Clinton e, claro, Barack Obama, quando, há três anos, festejava meio século já com a luta pela reeleição em mente.

Viria a consegui-la, com folga inesperada, mas os tempos continuam bem difíceis para o 44.º Presidente dos EUA. Terá condições de ter, daqui a um ano, mais motivos para festejar os 54?

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»