Hillary Rodham Clinton, primeira Dama dos EUA entre 1993 e 2001, senadora por Nova Iorque entre 2001 e 2009 e chefe da diplomacia americana entre 2009 e 2013, completa este domingo 67 anos.

Curiosamente, o número 67 será para sempre marcante para a sua carreira política, uma vez que foi a 67.ª secretária de Estado dos EUA (e a terceira mulher, depois Madeleine Albright e Condoleeza Rice).

Os mais de 40 anos de percurso público e político fazem de Hillary uma norte-americana muito especial em vários aspetos: foi primeira-dama politicamente muito interventiva (para alguns conselheiros de Bill Clinton, «demasiado interventiva»); foi a única mulher (e de longe a mais nova) na comissão de investigação de «impeachment» do Presidente Nixon, no início dos anos 70; esteve a um pequeníssimo passo de se tornar a primeira mulher a obter a nomeação presidencial de um grande partido do sistema (quando, nas primárias de 2008, perdeu à última hora para Barack Obama, depois de partir com um grande avanço).

Em 2008, parecia ter tudo para ser a primeira mulher a chegar à Casa Branca. Oito anos depois, pode concretizar, já não com 61 anos mas perto dos 70, esse objetivo histórico, não só para as suas ambições pessoais, mas também para a realidade política dos EUA.

Hillary foi, com 20 e poucos anos, jovem advogada promissora, com desempenho universitário impecável em Yale, no final dos anos 60, inícios de 70, depois de ter sido escolhida para fazer o discurso dos alunos em Wellesley.

Nas décadas de 70 e 80 (quando passou pelos 30 e 40 anos de idade) assumiu, com particular eficácia, o papel de Primeira Dama do estado do Arkansas, como esposa do jovem governador democrata Bill Clinton.

Foi Bill, que conheceu em Yale, que a fez concluir o processo de evolução de republicana (que começou por ser, influenciada pelo pai conservador do Illinois e por Barry Goldwater, para quem trabalhou em campanha) para democrata convicta e empenhada.

Defensora, desde bem cedo, de causas sociais, da emancipação das mulheres e de políticas de incentivo à educação, pela via da ajuda estadual e não só federal, Hillary Rodham Clinton (assim mesmo, com os três nomes, não apenas com o apelido herdado do marido) foi mantendo um percurso de resiliência, intervenção cívica corajosa e, muitas vezes, criadora de polémica de ruturas.

Foi de Hillary o rótulo, em tom de acusação, de que os republicanos criaram, nos anos Clinton, uma «vasta conspiração de direita» para apear Bill e a própria Hillary da Casa Branca. E isso custou-lhe, durante anos, uma fama «divisiva» que lhe criou uma taxa de rejeição de quase 50%, quando das primárias de 2008.

Mas os anos como Secretária de Estado terão ajudado a dar-lhe uma dimensão mais nacional e menos partidária.

Todas as pesquisas mostram que Hillary Clinton é, de muito longe (diferença superior a 50 pontos), a democrata mais bem colocada para obter a nomeação presidencial de 2016.

E mostram também, embora em margem menor, que Hillary bateria, hoje, qualquer opositor republicano na eleição geral.

Ainda faltam dois anos para se definir o sucessor de Obama, mas a agenda de Hillary nos últimos meses não deixa grandes dúvidas: ela vai mesmo avançar.

Além de entrevistas e conferências em que dá conta de que terá interesse em tentar nova candidatura presidencial, Hillary tem sido uma espécie de «convidada de honra» dos comícios dos candidatos democratas nas intercalares do próximo dia 4 de novembro.

Foi o que aconteceu, por exemplo, em Boston, há dias, em ação de camapnha por Martha Coakley, candidata a governadora do Massachussets, que teve Hillary como estrela maior e ainda juntou Elizabeth Warren, senadora que muitos também gostariam de ver candidatar-se à presidência, mas que jura que tem Hillary como candidata desejada.

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»