Na continuação da avaliação da corrida republicana para 2016, vamos hoje a olhar para Jeb Bush, o ex-governador da Flórida.

Nascido em Midland, Texas, há 61 anos, é filho e irmão de antigos presidentes.

O seu pai, George Herbert Walker Bush, foi o 41.º Presidente dos EUA e só cumpriu um mandato, perdendo a reeleição para Bill Clinton, que em 1992 era um jovem governador de um pequeno estado do Sul, o Arkansas.

O irmão, George «Dabia» Bush, foi o 43.º Presidente dos EUA, deixando, nos dois mandatos, tremenda herança de 11 de Setembro, duas guerras desastrosas (Iraque e Afeganistão) e, para fechar «em beleza», o auge da maior crise financeira e económica desde os anos 30.

Os antecedentes familiares não seriam, por isso, à partida, grande credencial para as aspirações de Jeb Bush. Mas na política americana há um conjunto muito variado de fatores a analisar.

O «pedigree» político está marcado em Jeb no seu nome e na sua história familiar. Vantagem ou problema? As duas coisas, na verdade. Tudo depende da forma como o candidato encarar a questão.

E Jeb pode, de facto, apresentar-se como uma das soluções mais viáveis que os republicanos têm para fazer face a Hillary Clinton em 2016: tem nome, um bom percurso político (foi governador popular entre democratas e republicanos num dos estados mais relevantes para as contas presidenciais, a Flórida) e tem-se conseguido afastar da ala mais radical e assustadora que, nos últimos anos, «infetou» o discurso mais tradicional da Direita americana.

Olhando a coisa mais em perspetiva, o interesse mediático, jornalístico e até histórico de um eventual duelo presidencial Clinton (Hillary) «vs» Bush (Jeb) em 2016 seria enorme e provocaria uma das mais apetecíveis corridas presidenciais de que há memória na América.

É possível? É. Embora não seja o mais provável, neste momento, esse cenário de uma repetição Clinton «vs» Bush, 24 anos depois do jovem Bill ter batido o então Presidente George HW, em 1992.

Está tudo em aberto no campo republicano. As fações nos conservadores são tantas que a corrida mostra um leque de seis ou sete candidatos com uma base inicial de apoio idêntica, na ordem dos 10/12 pontos. E Jeb Bush está nessa «shortlist».

O que o faz, então, merecer atenções especiais de quem tenta antecipar o que vai acontecer em 2016? Além do nome e do registo familiar, também as características que apresenta como político e como potencial candidato.

«Nesta fase da corrida, Jeb é uma espécie de Chris Christie sem o escândalo da ponte de Nova Jérsia», nota Jason Riley na Fox. «Jeb apresenta-se como republicano moderado, capaz de chegar ao outro lado, com hipóteses de alargar a sua base e com capacidade de angariação de bom dinheiro. Pode ter o seu momento».

Outro relevante comentador da Fox, Charles Lane, vai mais longe: «Jeb Bush tem condições de mostrar o lado mais viável do Partido Republicano. Mas tem que conseguir convencer o seu próprio partido disso».

Ao contrário do irmão George W., que na Casa Branca se deixou influenciar pela ala mais à direita do partido, depois de ter sido governador do Texas capaz de «chegar ao outro lado», Jeb parece querer manter-se como republicano moderado.

Em recente entrevista a Shannon Bream, Jeb Bush quis reforçar essa sua abordagem, falando dos imigrantes ilegais com especial moderação: «Não os vejo como criminosos. Sinto que fizeram algo por compaixão, para tentar melhorar a vida dos seus filhos».

Essa declaração pode ser popular ao centro e à esquerda, mas frisa Charles Krauthammer, comentador conservador, «pode ser fatal para as aspirações de Jeb de agarrar a base do partido».

Outro problema de Jeb é o facto de estar afastado dos centros de decisão política há oito anos, desde que deixou de ser governador.

Estará a tempo de regressar em grande?

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»