As dificuldades políticas da Administração Obama (com as falhas na implementação do ObamaCare a atingirem níveis de compreender, tendo em conta os cuidados deste Presidente com a comunicação) aumentam o apetite republicano para a corrida presidencial de 2016.

Mas o caminho a seguir pela direita americana para esse duelo presidencial, que definirá o sucessor de Barack Obama na Casa Branca a partir de janeiro de 2017, está longe de ser claro.

A menos de três anos das eleições, isso quer dizer, na prática, que falta um ano para que a corrida às nomeações presidenciais comece a sério, com os candidatos já assumidos e declarados no terreno.

Olhando para o agitado calendário eleitoral na América, isso significa que logo a seguir às «midterms» de novembro de 2014, daqui a 11 meses portanto, arranca a sério a corrida mais louca do Mundo.

Como já demos conta em crónicas anteriores destas «Histórias da Casa Branca», Chris Christie, o polémico governador da Nova Jérsia, está bem posicionado para assumir uma posição relevante nesta corrida.

Se avançar mesmo para uma candidatura presidencial, tem tudo para chamar a si os setores mais moderados do GOP e mesmo algumas áreas independentes e democratas, que se declaram desiludidas com o governo Obama e olham com atenção para as propostas corajosas do governador republicano de um estado tradicionalmente democrata.

Mas as características heterodoxas de Christie deixam um enorme espaço por preencher no campo mais conservador e radical do Partido Republicano.

Está ainda por provar que o Tea Party venha a ter, em 2016, a mesma capacidade de influência da escolha do nomeado que teve em 2012 (Romney não era do Tea Party, mas teve uma oposição inesperada de Rick Santorum até mais tarde e foi obrigado a modelar o seu discurso durante a campanha).

Desta vez, a ala radical prepara-se para apoiar nomes como os senadores Marco Rubio (Florida), Ted Cruz (Texas) ou Rand Paul (Kentucky).

No caso de Rand, há já uma base profundamente mobilizada, que apoiou o seu pai, Ron Paul, crónico candidato libertário, nas últimas duas décadas.

Só os resultados das eleições para o Congresso em 2014 definirão, verdadeiramente, como se comporão as forças das diferentes sensibilidades da direita americana para 2016.

Mas há dois nomes que, caso pretendam avançar para a corrida à nomeação republicana, poderão ter um caminho relativamente neutro, entre os «tea party darlings» e a moderação de Chris Christie: Jeb Bush, antigo goverador da Florida e filho e irmão de antigos presidentes; e Paul Ryan, congressista do Wisconsin, líder do comité de orçamento e candidato a vice no ticket presidencial de Mitt Romney, em 2012.

Jeb tem um problema: a ideia de um terceiro Bush na Casa Branca causaria muitos anticorpos. Mas tem uma vantagem: chamar-se Bush também dá muitos apoios e financiamentos.

O antigo governador da Florida é forte eleitoralmente num estado decisivo para a eleição presidencial e detém imagem de respeitabilidade junto do eleitorado democrata. Se quiser avançar, corre o risco de ganhar.

Paul Ryan é um caso bem diferente. Saiu um pouco chamuscado da experiência de 2012, ficando demasiado conotado com a derrota de Romney, pelo protagonismo excessivo que assumiu na fase decisiva da corrida contra a reeleição de Obama.

Mas a sua plataforma fiscal é querida no eleitorado de base dos conservadores e demonstra uma juventude que a direita americana procura há muito. Se conseguir apoios fora da área do conservadorismo fiscal, pode bater-se pela nomeação.

As eleições sem incumbente (Obama não poderá concorrer a terceiro mandato) costumam ser particularmente interessantes, porque abertas nos dois campos.

As posições vão começar a ser marcadas já nos próximos meses e os nomes já estão em cima da mesa.

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»