«Os que cometem o erro de ferir os americanos vão aprender que esses atos não serão esquecidos, que a justiça será feita»

«Não seremos intimidados»

«Vamos conseguir neutralizar o Estado Islâmico. Vamos consegui-lo. Vai demorar algum tempo e vai exigir algum esforço»

«Não agimos sozinhos [na guerra ao EI]. Em vez disso, vamos apoiar os iraquianos e os sírios a resgatar as suas comunidades. (...) Já temos 40 nações a quererem juntar-se à coligação. Hoje, peço ao mundo para se juntar a este esforço. Os que se juntaram ao EI devem abandonar o campo de batalha o quanto antes. Os que continuarem a lutar por esta causa odiosa vão perceber que estão sozinhos. Não cederemos a ameaças, vamos demonstrar que o futuro pertence aos que aos que constroem ¿ não aos que destroem»

BARACK OBAMA, Presidente dos Estados Unidos

A ofensiva internacional, que já atinge quatro dezenas de países, aumenta de escala e já entrou em reduto da Síria. Aos numerosos bombardeamentos já feitos em zonas iraquianas, juntaram-se os ataques aéreos sobre solo sírio.

O esforço americano, como o Presidente Obama tinha exortado, foi concertado com a presença de aviões da Jordânia, Qatar e Arábia Saudita, além de apoio militar do Bahrein e dos Emirados Árabes Unidos.

A operação conjunta confirma, assim, a ideia de que «os EUA não estão sozinhos neste combate aos jihadistas» e contam, cada vez mais, com os aliados árabes na região, talvez as vítimas mais imediatas das ameças dos radicais sunitas.

Raqqa, cidade síria que a cúpula do Estado Islâmico autoproclamou «capital do Califado», foi alvo preferencial e as forças da coligação internacional reivindicou já várias baixas importantes na estrutura do Estado Islâmico.

Enquanto isso, caças franceses «Rafale» fizeram os primeiros raides aéreos, só no Iraque, destruindo um armazém usado por guerrilheiros do EI.

Em sinal de retaliação, o Jund Al-Khilafa, grupo ligado ao Estado Islâmico, decapitou um turista francês raptado na Argélia, Herve Gourdel, de 55 anos. François Hollande já prometeu: «Os autores serão castigados».

Parece estar a inaugurar-se uma nova etapa na estratégia de comunicação do EI.

O foco deixa de estar somente nos norte-americanos e britânicos e passa a estar na noção de que «todos os que se oponham à construção do Califado devem ser punidos».

A extrema violência das ações do EI já custou perdas relevantes para os radicais sunitas. Inicialmente, o Estado Islâmico teve apoio implícito da Arábia Saudita e Qatar, por interesse sunita em região que teve, nos últimos anos, avanço xiita importante (no Iraque pós-Saddam, no Irão e na Síria do alauíta Assad).

Com o «turning point» da coligação liderada pelos EUA, que engloba Arábia Saudita e Qatar, o «monstro» do Estado Islâmico precisa de amigos, para utilizar expressão imortalizada no álbum da banda portuguesa «Ornatos Violeta».

A continuação das decapitações poderá isolar ainda mais o grupo liderado por Al-Baghdadi. Mas depois da decapitação do britânico David Haines, os vídeos que se seguiram mostraram mensagens com um teor mais persuasivo e menos gráfico, na violência exibida.

Num desses vídeos, o EI tenta até ridicularizar Obama, afirmando que o atual Presidente dos EUA é «mais tolo que George W. Bush» «Confiem em Allah, e matem-nos de qualquer maneira».

Os apelos do EI a uma «jihad» global não deixa dúvidas: «Matem o descrente, seja ele civil ou militar, pois tomam as mesmas decisões».

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»