A três anos das eleições presidenciais, toda a gente fala de Hillary para a nomeação democrata, mas do lado republicano as incertezas são enormes.

A tese de que o Partido Republicano precisa de encontrar um candidato moderado, que rompa de vez com os disparates do Tea Party, leva muitos setores da direita a apontar baterias para Chris Christie.

Christopher James Christie, 51 anos, é natural de Newark, Nova Jérsia pura e dura. Governador do estado que o viu nascer, é um político fiel às raízes, que fala sem rodeios e faz gala em ignorar cartilhas de comunicação política.

O seu grande trunfo será esse: num meio tão criticado pela artificialidade e excesso de cuidados mediáticos, Chris é o tipo duro, mas com bom coração, que ultrapassa o peso a mais com carisma de alguém em quem se pode confiar e que dá tudo pela sua comunidade (valores caros à sociedade americana e ao seu querido estado da Nova Jérsia).

O Sandy foi o momento definidor de Christie como político. Na fase decisiva de um dos duelos mais equilibrados das últimas décadas na América, o «keynote speaker» da nomeação republicana de Romney elogiava, em tom emocionado, o Presidente-candidato democrata, pela pronta intervenção durante a super tempestade.

«Em momentos como este, não ligo absolutamente nada a eleições. Preocupo-me só com o meu estado, a minha gente», comentou Christie, perante o pasmo dos «pundits» republicanos.

Estratégia ou autenticidade? Muitos acusaram, cinicamente, que Christie não se importou com os prejuízos eleitorais de Romney porque a reeleição de Obama aumentaria as suas próprias hipóteses de ser eleito para a Casa Branca em 2016.

Casado com Mary Pat Foster, namorada de faculdade nos tempos da Universidade do Delaware (ambos de Direito), Christie tem quatro filhos: Andrew, Sarah, Patrick e Bridget.

Antigo procurador na Nova Jérsia, foi subindo no Partido Republicano desde o envolvimento nas campanhas de Bush pai e Bush filho. Como procurador, destacou-se em perseguir traficantes de droga e crimes violentos.

Com uma retórica política direta e frontal, à sua imagem, Christie consegue chegar ao americano comum, algo que muitos consideram que Obama, enquanto Presidente, não consegue fazer.

Com pai meio escocês, meio irlandês, e mãe siciliana, Christie não esconde visão arreigada dos valores familiares (algo fundamental para agarrar a base republicana), mas tem-se assumido como uma voz independente no GOP: já arrasou por mais do que uma vez as posições da direita «tea party» (tipo Sarah Palin, Michele Bachmann ou Ted Cruz) em temas como as armas, por exemplo.

A reeleição folgada no governo da Nova Jérsia, obtida há dias, com mais de 60% dos votos num estado profundamente democrata, dão conta das credenciais bipartidárias deste peso-pesado (sim, era uma piada fácil, mas neste caso inevitável¿) da política americana.

Depois deste resultado, um dos temas «sexy» em Washington, nos últimos dias, era mesmo este: será que Chris Christie já está a preparar uma candidatura presidencial para 2016?

Vejamos o que diz o próprio governador da Nova Jérsia: «É elogioso falar-se em mim para 2016 e não tenho qualquer problema com isso. Mas quero deixar bem claro: tenho um trabalho a fazer. Acabei de ser reeleito governador da Nova Jérsia e é esse o trabalho que vou fazer».

A porta de Christie para a corrida republicana parece claramente aberta.

«Será ele o último republicano moderado?», questiona Philip Bump na «Atlantic Wire», em artigo que elogia Chris por ter retirado objeções legais, enquanto governador da Nova Jérsia, à aprovação no seu estado de uma lei que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Chris Christie está a conquistar a América moderada da Costa Leste. Poderá ganhar a confiança dos republicanos da América profunda?

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue Casa Branca