A semana a meia de das eleições intercalares nos Estados Unidos, mantém-se a tendência para uma vitória republicana na Câmara dos Representantes (embora não com a margem de há quatro anos), uma pequena vantagem também republicana dos governadores de estado e tudo em aberto em relação ao controlo do Senado.

Dados do site «Real Clear Politics» apontam para que o GOP (Grand Old Party) tenha 228 lugares assegurados na House, contra 186 dos democratas, com 21 lugares por definir.

No Senado, ainda tudo muito equilibrado: vantagem republicana em 46 lugares, democratas com 45, com nove assento em aberto.

Convém explicar, que enquanto na câmara baixa todos o 435 lugares estarão em disputa a 4 de novembro, no caso da Capitólio só um terço dos assentos irão a votos. Neste momento, os democratas têm 53 senadores, com mais dois independentes com tendência para votar com o Partido Democrata; os republicanos têm apenas 45, precisando, assim, de obter pelo menos seis novos lugares para passarem a dominar todo o Congresso e não apenas a Câmara dos Representantes.

Na frente de campanha, Barack Obama continua a ser um nome pouco desejado na hostes democratas. Nalgumas, pelo menos: «Uma sondagem feita há duas semanas mostrou que 64 por cento dos votantes prováveis em estados competitivos pensam ou sentem que as coisas nos Estados Unidos estão a ficar fora de controlo. E isso é apenas um degrau abaixo de se pensar que o país está a caminhar para a direção errada. Isso tem sido negativo durante anos e é um reflexo de políticas falhadas que podem ser mudadas», nota Charles Krauthammer, analista conservador, em artigo no Washington Post.

Este quadro, um pouco bizarro num país que, do ponto de vista económico, já saiu da crise há dois ano e apresenta, pela primeira vez desde o verão de 2008 uma taxa de desemprego abaixo dos 6%, terá a ver, essencialmente, com três fenómenos bem diferentes: um deles estrutural (o eterno «gridlock» que paralisa politicamente o Congresso), os outros dois conjunturais (o medo do «Ébola», que a Administração Obama não soube travar; o medo do Estado Islâmico e algumas dúvidas sobre a forma como o Presidente tem gerido a ameaça).

«Com eventos preocupantes e uma sensação crescente de desordem ¿ a crise fronteiriça no verão, Ferguson, o crescimento do Estado Islâmico, Ebola ¿ a nação não espera milagres da Casa Branca, apenas competência. No mínimo, mera presença», insiste Krauthammer.

Os temas nacionais e até internacionais podem, por isso, ter uma relevância especial nestas eleições, que são geralmente dominadas por questões estaduais. Sendo que, na América, a realidade política estadual é muito diferente (por vezes, até contraditória) da agenda política de Washington.

Mais otimista para os interesses dos democratas é a visão da congressista da Florida e «chairwoman» do Comité Nacional Democrata, Debbie Wasserman Schultz: «Os democratas estão a expandir o mapa eleitoral, nas últimas semanas. Quem imaginaria, há bem pouco tempo, que os republicanos correriam o risco de perder corridas para o Senado para governador em estados como Kansas, Dakota do Sul, Geórgia ou Kentucky. São «red states» bem vincados, território republicano puro e os candidatos democratas nesses estados estão a sair-se bem».

De qualquer forma, a congressista Debbie Schultz já faz, em entrevista televisiva à CNN, uma espécie de «gestão de danos», antecipando uma previsível derrota democrata a 4 de novembro: «É normal que, numas eleições a meio de um segundo mandato de um presidente, o partido que o apoia perca, em média, em 29 estados. Diria que há boas hipóteses de, não só isso não acontecer, como inclusivamente conseguirmos não perder lugares».

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»