Barack Obama prometeu para 2014 um «ano de ação». O clima de impasse em Washington DC fez de 2013 um «ano perdido» na agenda do Presidente, mas o segundo mandato ainda conta com três anos inteiros para rasgar no calendário.

2004 foi o ano da revelação (na convenção de Boston) e da primeira eleição nacional (para o Senado). 2005, o ano do arranque no Capitólio e do início da «Obamania». 2006 o do lançamento de um movimento imparável rumo à candidatura à presidência. 2007 marcou a confirmação da viabilidade da sua candidatura como alternativa à super favorita Hillary na nomeação democrata. 2008, o da surpreendente nomeação e da histórica eleição à Casa Branca.

2009 o da primeira tomada de posse, do Nobel e do evitar de uma nova grande depressão. 2010 marcou o início da recuperação económica, a aprovação do ObamaCare, mas também a perda da maioria democrata no Congresso.

2011 foi o ano do anúncio da recandidatura e da eliminação de Bin Laden. 2012 o ano da reeleição, mas também o que confirmou um Congresso dividido e paralisado.

2013 teria tudo para ser o ano da relegitimação política de Obama. Com a pujança da reeleição ainda fresca, Barack assumiu um discurso de posse para o segundo mandato mais ideológico do que no primeiro. Até falou do aumento do salário mínimo, escolheu opções arriscadas na defesa de minorias, endereçou questões como os direitos dos «gays» e a urgência de resolver o problema dos imigrantes ilegais.

Mas os meses que se seguiram anunciaram a desilusão: um Congresso paralisado e os temas fortes da agenda presidencial de novo congelados. O «government shutdown», que durante 16 dias reduziu substancialmente os serviços federais, fez de outubro um mês negro para a Presidência Obama.

As sondagens continuam a penalizar a maioria republicana na Câmara dos Representantes e não por acaso os americanos chamam apelidaram o atual Congresso de «Do-Nothing».

A verdade é que Obama termina 2013 com o estigma do falhanço, o que não deixa de ser curioso, se nos lembrarmos que este foi o ano em que a economia dos EUA começou finalmente a disparar (estando já em níveis anteriores à crise de 2008) e que, no plano externo, foi obtido um acordo com o Irão sobre a questão nucleae (algo impensável há poucos meses).

Mas a batalha legislativa foi claramente perdida pelo Presidente. Em 2014, Obama terá que consumar esse tal «ano de ação» resolvendo os erros na implementação do Obamacare, fazendo aprovar uma lei que restrinja o acesso às armas e avançando em matérias como a redução da dívida, a reforma fiscal, a independência energética e a imigração.

Os estilhaços do «caso Snowden» e as hesitações na gestão da crise síria (com Putin a dar a imagem de que a Rússia passou a mandar mais que os EUA neste tipo de momentos cruciais) deram sinais de algum enfraquecimento americano.

Em 2014, Obama terá desafios fundamentais a vencer: manter os EUA como ás de trunfo da política internacional; dissipar as desconfianças de aliados na sequência das escutas da NSA; manter o Senado no controlo democrata e, se possível, retomar a maioria democrata na House, perdida em 2010; consumar uma saída eficaz e tranquila das tropas americanas no Afeganistão, assegurando uma transição pacífica em Cabul.

Mesmo não obtendo sucesso em todos os pontos, a tarefa de Obama para o novo ano pode ser bem-sucedida. Contra as previsões dos «pundits», é certo, mas isso já aconteceu tantas vezes na última década da carreira curta, mas já tão intensa, do 44.º Presidente dos EUA...

Germano Almeida é jornalista do Maisfutebol, autor dos livros «Histórias da Casa Branca» e «Por Dentro da Reeleição» e do blogue «Casa Branca»