Os números revelam um «desperdício chocante» para os ativistas do setor da habitação. Os onze milhões de casas desabitadas que existem na Europa poderiam dar teto a cerca de quatro milhões de sem-abrigo registados no continente.

Uma investigação do «The Guardian» revela os números de casas vazias em alguns países:



Muitas destas habitações eram resorts de férias, construídos durante o boom imobiliário que antecedeu a crise financeira de 2008. A maioria nunca chegou sequer a ser ocupada.

Só em Espanha há mais de três milhões de casas desocupadas. Este que é um país que luta severamente contra o fenómeno dos despejos de famílias, por incumprimento de contratos.

Reino Unido, Grécia e Irlanda integram também o estudo, com números na casa das centenas de milhar. França e Itália têm cada uma mais de dois milhões de habitações vazias. Na Alemanha, o número desce para um milhão e oitocentos mil e em Portugal contam-se mais de 700 mil casas desabitadas.



David Ireland, dirigente da Empty Homes, associação que promove o acesso de casas abandonadas a pessoas sem-abrigo, argumenta que estas são hoje vistas como «veículos de investimento» e não como lares para habitação.

Para Ireland, «as casas são construídas para que se viva nelas». «Se isto não acontece então há algo muito errado com o mercado imobiliário», sustenta.

Gavin Smart, diretor de políticas do Chartered Institute of Housing do Reino Unido, alerta para outro cenário. Há investidores ricos a «comprar para abandonar», na esperança de lucrar com o aumento do preço da propriedade que adquiriram.

Para combater a degradação dos imóveis, alguns dos compradores preferem, inclusive, demolir as habitações e manter o terreno. A manobra serve de tentativa para reforçar o preço da propriedade, sem perder o dinheiro investido.