A falta de tropas norte-americanas no terreno para combater o terror do Estado Islâmico não significa que os Estados Unidos não tenham já em marcha uma guerra contra os rebeldes. Para além dos ataques aéreos, do trabalho das secretas e de uma eventual diplomacia em ação, os EUA estão a usar outras armas contra os rebeldes: as redes sociais. Este é já um conflito global em que o recrutamento ultrapassa as fronteiras terrestres: nesta guerra, os soldados alistam-se na Internet.

Ora, é precisamente na rede, onde muitos encontraram o caminho para o extremismo, que o Departamento de Estado norte-americano começou o ataque. Desde há duas semanas, que a campanha, no Facebook, Twitter e YoutTube, contra o recrutamento de jovens para as fileiras do Estado Islâmico, ganhou outra força.

«ThinkAgain TurnAway», (Pensa duas vezes, volta as costas), é o slogan que intitula a campanha que não se coíbe de mostrar imagens violentas dos atos atribuídos ao Estado Islâmico para demover eventuais aspirações de possíveis jovens. No Twitter, o Departamento de Estado assume o objetivo da campanha: «A nossa missão é expor os factos sobre os terroristas e a sua propaganda. Não te deixeis enganar por aqueles que separam famílias e destroem a sua verdadeira herança».

Alberto Fernandez, coordenador do Centro de Estratégia de Contra terrorismo e Comunicações do Departamento de Estado, dirige o programa e revela que a ações na Internet já duram há três anos e decorrem em várias frentes. No Twitter, a publicação mais antiga surge a dois de maio de 2014 e os primeiros tweets estão relacionados com a guerra na Síria e a al-Qaeda. Só nos últimos meses, as publicações começam a focar o Estado Islâmico.

No Facebook, a campanha norte-americana tem uma história bem mais recente. A página foi criada a 18 de Agosto, um dia antes da decapitação do jornalista norte-americano, James Foley, mas o primeiro post oficial data do dia em que o mundo «acordou» para o terror do Estado Islâmico.





A campanha conta ainda com uma página oficial do YouTube onde, há duas semanas, foi divulgado um vídeo com imagens violentas e chocantes com os atos de guerra atribuídos aos rebeldes. As imagens usadas pelos EUA são as mesmas que o próprio Estado Islâmico divulga na Internet. Crucificações, execuções a sangue frio, decapitações são algumas das imagens violentas mostradas pelo vídeo compilado pelas autoridades norte-americanas.



A imprensa norte-americana sublinha que o vídeo satiriza o Estado Islâmico ao ridicularizar as ações dos rebeldes e ao deixar uma mensagem sarcástica aos aspirantes a jihadistas. No final do vídeo surge a mensagem: «Viajar é barato, porque não vais precisar de um bilhete de volta», seguida da imagem de um homem atirado de um penhasco.

O tom agressivo da mensagem é destinado aos muçulmanos residentes nos EUA que possam sentir-se aliciados pelo extremismo, depois de muitos norte-americanos, britânicos, e também portugueses, terem aderido à «nova nação».

Para evitar a ameaça, os EUA estão já a usar violência contra violência, pelo menos na Internet.