Notícia atualizada às 15:03

Pelo menos três palestinianos morreram, este domingo, pouco depois da retomada dos ataques militares israelitas em Gaza, revelaram as equipas de socorro.

O porta-voz dos serviços de emergência em Gaza, Ashraf al-Qudra, adiantou que dois homens foram mortos num bombardeamento próximo da fronteira no centro de Gaza, enquanto um terceiro foi morto em Khan Yunis, no sul.

O exército israelita anunciou às 07:00 GMT [08:00 de Lisboa] que iria retomar os ataques a Gaza, por terra, mar e ar depois de o movimento islamita Hamas e outras milícias palestinianas terem disparado 25 foguetes sobre Israel nas últimas horas e que matou um soldado israelita.

«Na sequência dos incessantes disparos de foguetes do Hamas durante a janela humanitária, que foi acordada para o bem da população civil em Gaza, a [força de defesa de Israel] IDF irá retomar a sua atividade aérea, naval e terrestre na Faixa de Gaza», anunciou o exército em comunicado.

A nota pede à população civil palestiniana para não se aproximar das zonas de combate.

«Devido à flagrante violação da trégua humanitária pelo Hamas, o IDF está agora a retomar as atividades ofensivas», escreveu o porta-voz militar israelita, Peter Lerner, no Twitter.

Os meios de informação locais estão a noticiar «fogo massivo» da artilharia israelita e da Força Aérea, enquanto a televisão mostra densas colunas de fumo em várias zonas de Gaza.

Na sequência dos novos ataques israelitas um porta-voz do Hamas afirmou que a organização concordou com uma nova trégua humanitária de 24 horas, proposta ontem por Israel, a ter início às duas da tarde (hora local, 12h em Lisboa).

«Em resposta a um pedido das Nações Unidas, os movimentos da Resistência (palestiniana) aceitaram uma trégua humanitária de 24 horas que começará às 14:00 (12:00 de Lisboa) de hoje», indicou o porta-voz do Hamas, Sami Abou Zouhri, em comunicado, avança a France Press.

Uma trégua que terá sido, no entanto, violada pelo Hamas, segundo o primeiro ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

«O Hamas não respeita o seu próprio cessar-fogo, continua a disparar enquanto falamos», afirmou Netanyahu, em declarações à «CNN».

O primeiro ministro acrescentou ainda que o exército israelita «vai fazer o que for necessário para proteger o seu povo».

Segundo o canal 10, Israel atacou, esta manhã, as localidades de Khan Yunis, os campos de refugiados de Al Bureij e Shati, e vários bairros da capital, incluindo o já devastado Shahaiya.

Respondendo a um pedido das Nações Unidas, o gabinete de segurança israelita aceitou prolongar até à meia-noite de domingo (22:00 horas de Lisboa) o cessar-fogo humanitário cumprido durante o dia de sábado.

O movimento islamita Hamas tinha recusado o prolongamento da trégua, que sábado permitiu às equipas de emergência retirarem mais de uma centena de corpos dos escombros, e nas últimas horas cerca de 25 foguetes foram disparados a partir de Gaza sobre território israelita.

O Hamas e as outras milícias palestinianas impõem como condição para a trégua a retirada das forças israelitas de Gaza.

No sábado, os serviços de emergências recuperaram dos escombros 130 cadáveres, o que elevou o número de vítimas em Gaza para 1.147 mortos e mais de 6 mil feridos, segundo o Ministério da Saúde local.

O gabinete de segurança israelita deverá voltar a reunir-se hoje, segundo os media locais.

A operação israelita «Proteção da fronteira», que visa destruir a capacidade de fogo do Hamas, começou a 08 de julho tendo entrado nove dias depois na fase terrestre.

Do lado israelita, morreram 43 soldados e três civis.