Notícia atualizada às 10:34

O gabinete de segurança israelita, presidido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, aceitou a proposta de cessar-fogo apresentada pelo Egito, disse um porta-voz do Governo, uma semana depois de ataques continuados terem causado mais de 180 vítimas mortais.

«O gabinete decidiu aceitar a iniciativa egípcia para um cessar-fogo a partir das 09:00 (06:00 GMT)», disse Ofir Gendelman, porta-voz do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no Twitter.

Os ministros no gabinete de segurança israelita estavam reunidos desde a madrugada para analisar a proposta, segundo a rádio do exército e a estação de televisão Channel 2.

O primeiro-ministro israelita avisou, contudo, que está preparado para reforçar os ataques a Gaza caso o Hamas não pare imediatamente o lançamento de rockets.

«Concordámos com a proposta egípcia para dar uma oportunidade à desmilitarização da Faixa de Gaza por via diplomática. Mas, se o Hamas não aceitar a proposta de cessar-fogo, como parece ser o caso, Israel terá toda a legitimidade internacional para ampliar a operação militar e assim conquistar a calma necessária», afirmou aos jornalistas Benjamin Netanyahu.

Na segunda-feira, o presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, congratulou-se pela iniciativa egípcia e apelou às partes para respeitarem o cessar-fogo.

Já o movimento islamita palestiniano Hamas, que controla a Faixa de Gaza, rejeitou qualquer cessar-fogo que não inclua um acordo completo sobre o conflito com Israel, declarou o porta-voz Fawzi Barhoum.

Não houve relatos imediatos de disparos de rockets contra Israel depois do prazo para a entrada em vigor do cessar-fogo. Segundo o exército israelita, durante a noite foram lançados dois rockets para o sul de Israel e outros dois disparos foram efetuados cerca de 15 minutos antes da iniciativa egípcia entrar em vigor.

A aviação israelita ainda lançou 25 ataques aéreos sobre a Faixa de Gaza nas últimas horas. «Estes raides aéreos visavam alvos terroristas», afirmou o porta-voz militar.

A iniciativa egípcia prevê a «paragem total das hostilidades aéreas, marítimas ou terrestres» e a abertura imediata de negociações, que se propõe acolher e intermediar.

O braço armado do Hamas, as Brigadas Ezzedine al-Qassam, rejeitaram igualmente a proposta egípcia, descrevendo-a como uma «rendição», e ameaçaram «intensificar» a luta contra Israel.

O Hamas exige o fim dos bombardeamentos, o fim do bloqueio de Gaza em curso desde 2006, a abertura do posto fronteiriço de Rafah com o Egito, e a libertação de prisioneiros.

Obama gostou da proposta

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saudou a proposta do Egito.

«Estamos otimistas pelo facto de o Egito ter feito essa proposta (...), que eu espero que permita restabelecer a calma», disse Obama na Casa Branca, durante um jantar por ocasião do Ramadão.

O presidente norte-americano disse que a atual vaga de violência «não é boa para ninguém, e muito menos para israelitas e palestinianos».

«Faremos tudo o possível para facilitar o regresso ao cessar-fogo de 2012», afirmou Obama.

O presidente norte-americano referiu que Israel tinha o direito de se defender contra ataques «indesculpáveis», mas também invocou as mortes dos palestinianos como uma «tragédia».

A proposta do Egito foi feita na véspera da chegada à capital egípcia do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, que multiplicou, nos últimos meses, os seus contactos com palestinianos e israelitas, bem como com as potências regionais, para procurar relançar as negociações bilaterais, que se encontram suspensas.