A França depara-se mais uma vez com uma proposta polémica sobre a proibição das mulheres islâmicas usarem o véu.

Desta vez é um relatório entregue pelo Alto Conselho para a Integração (ACI) ao Observatório da Laicidade que propõe a adopção de uma lei proibindo «nas salas, lugares de ensino e pesquisa das Instituições públicas de ensino superior, símbolos e atitudes manifestando ostensivamente uma aparência religiosa».

O relatório divulgado pelo «Le Monde» não propõe a extensão da lei de 2004 que interdita o uso do véu nas escolas do secundário, mas o objectivo é proibir o seu uso durante as aulas no ensino superior.

A proposta prevê-se polémica já que surge numa altura em que a França discute a possibilidade de proibir símbolos religiosos noutras situações da sociedade francesa.

Entre as razões que estão na base da proposta do relatório do ACI estão inquéritos feitos aos professores onde se dá conta da dificuldade de organizar binómios de estudantes de sexos opostos, para trabalhos de grupo. Mas apresenta-se ainda as críticas de cristãos evangélicos e neo-baptistas às teorias da evolução de Darwin em favor das teorias criacionistas. O relatório fala, por isso no perigo de «crescimento de sintomas identitários e comunitários que possam levar ao ostracismo e fechamento e à recusa de de aprendizagem certos saberes».

Mesmo reconhecendo que certos estabelecimentos públicos não são afectados, o Alto Conselho para a Integração refere que é preferível haver uma antecipação e afirma que «é necessário que todos os estabelecimentos públicos de ensino superior integrem um artigo no seu regulamento interno visando prevenir as contestações ou recusa de aprendizagem»