O partido francês de extrema-direita, Frente Nacional, obteve este domingo um forte crescimento eleitoral, na primeira ronda das eleições municipais em França, marcadas por uma sanção da esquerda no poder, uma ligeira progressão da direita e uma abstenção recorde.

O partido de centro-direita UMP, na oposição, também reclamou uma «grande vitória», com estimativas iniciais a apontarem conquistas importantes nas eleições, face à forte desilusão com o governo do Presidente, François Hollande, num cenário de crescimento perto de zero e de elevado desemprego.

De acordo com uma sondagem, o UMP e aliados arrecadaram 48 por cento dos votos a nível nacional, enquanto o Partido Socialista e aliados tiveram 43 por cento dos votos. Já a Frente Nacional conquistou sete por cento - um valor muito superior aos 0,9 por cento que obteve na primeira ronda das eleições autárquicas de 2008.

Aplaudindo o que disse ser uma «excecional vindima para a FN», Marine le Pen, líder do partido anti-imigração e anti-União Europeia - considerou que os resultados de hoje marcaram «o fim da bipolarização da cena política».

A Frente Nacional (FN) ficou em primeiro lugar em várias localidades no sul de França, como Perpignan, Avignon, Béziers ou Fréjus, ou do norte (Forbach), onde poderá ganhar na próxima ronda, dentro de uma semana. Em Hénin-Beaumont, cidade-símbolo do norte, historicamente conotada com a esquerda, o secretário-geral da FN, Steeve Briois, foi eleito na primeira volta.

Apesar de a FN esperar sair-se bem nas eleições, os primeiros resultados foram muito superiores às expectativas, para um partido que ambiciona conquistar a liderança dos municípios de dez a 15 cidades de dimensão média, depois da segunda volta, a 30 de março.

Os socialistas reagiram ao crescimento da Frente Nacional reconhecendo que alguns eleitores manifestaram o seu descontentamento em relação a políticas atuais do Governo.

«Alguns eleitores expressaram as suas preocupações, e mesmo as suas dúvidas, abstendo-se ou através do seu voto», afirmou o primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault.

Era esperada uma fraca afluência às urnas, depois de quatro diferentes sondagens terem apontado para uma abstenção de pelo menos 35 por cento, um recorde nas eleições municipais francesas.

Ayrault apelou aos eleitores para acorrerem às urnas na segunda volta para travarem «o avanço da FN», à semelhança das eleições presidenciais de 2002, quando o líder da FN, Jean-Marie le Pen, passou à segunda volta, levando os socialistas a pedir o apoio ao candidato do centro-direita, Jacques Chirac.

«Onde a Frente Nacional estiver numa situação em que possa ganhar a segunda volta, todas as forças democráticas e republicanas têm a responsabilidade de criar as condições para impedir que tal aconteça», disse o governante.

O líder do UMP apelou entretanto aos franceses que votaram na FN que «transitem os seus votos» para os candidatos da UMP na segunda volta.

Jean-François Cope antecipou uma «grande vitória» para o seu partido na segunda volta, mostrando um fraco impacto dos escândalos de corrupção que atingiram o partido e o anterior Presidente, Nicolas Sarkozy.

Em Paris, Anne Hidalgo, filha de imigrantes espanhóis, era apontada como favorita, mas Natalie Kosciusko-Morizet, antiga ministra de Sarkozy, ficou ligeiramente à frente na primeira ronda.

Nestas eleições está em jogo a eleição de 36 mil autarcas para as aldeias, vilas e cidades em França.

O número de candidatos estrangeiros, nas cidades com mais de 1.000 habitantes, provenientes da União Europeia, é de 2.743, dos quais 752 têm apenas nacionalidade portuguesa. Seguem-se os belgas com 406 e os britânicos com 389 candidatos.