O juiz José Castro imputou a infanta Cristina pelos crimes de branqueamento de capital e desvio de fundos, supostamente cometidos na sua condição de coproprietária da Aizoon, empresa familiar onde foram desviados mais de um milhão de euros públicos desde o Instituto Nóos. A infanta não goza de imunidade judicial.

«Respeitamos as decisões judiciais». Foi desta forma que a Casa do Rei reagiu, mostrando que não quer repetir os mesmos erros que na primeira vez que a filha do rei foi constituída arguida, em abril do ano passado.

No auto de 227 páginas, a filha do rei de Espanha é obrigada a prestar declarações dentro de dois meses - no dia 8 de março, sábado, às 10 horas, avança o «El Mundo».

Os crimes atribuídos à infanta são severamente castigados pelo Código Penal. O branqueamento de capitais prevê uma pena de prisão até seis anos e uma multa que pode ser o triplo do valor do dinheiro levado. O juiz pode condenar até um máximo de cinco anos de prisão e uma multa até seis vezes mais o valor subtraído à Hacienda.

O juiz instrutor sustem que a contabilidade da Aizoon, sociedade instrumental que é presidida pela duquesa de Palma, «estava muito longe da realidade» e apelida de «fiscalmente opaca» a divisão de dividendos entre os dois titulares da empresa familiar: Cristina e Iñaki Urdangarin.

«Este rendimento [procedente da divisão dos dividendos opacos] nunca foram tributados nas suas declarações do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas». É este o parágrafo do auto não deixa margens para dúvidas para a acusação da infanta Cristina, imputada pela segunda vez pelo juiz Castro.

Este magistrado, que esteve nove meses a analisar todos os passos financeiros e contas da duquesa de palma, entre 2002 e 2012, veio agora indiciar a monarca, apesar da contestação da procuradoria anticorrupção, que não vê matéria para acusar Cristina de Borbón.

A mesma opinião não tem a procuradoria em relação ao genro de Juan Carlos, que pede 12 anos de cadeia para Urdangarin, que, juntamente com o ex-sócio, terão desviados milhões de euros de dinheiros públicos para benefício próprio através de uma fundação que acabou por dar nome ao caso: Nóos.