Farzana Parveen, de 25 anos, foi morta na terça-feira, em frente a um tribunal no Paquistão. A mulher, grávida, perdeu a vida depois de ter sido apedrejada por duas dezenas de pessoas da sua própria família. Incluindo o próprio pai. Incluindo os irmãos.

O seu crime: casou com o homem que amava.

O apedrejamento deu-se à luz do dia, em Lahore, como conta a Associated Press, mas outros há que não são vistos, mas que acontecem, às centenas, levados a cabo por familiares e maridos, por alegado adultério ou outros chamados ilícitos sexuais, num país de maioria muçulmana. Chamam-lhes «crimes contra a honra».

Uma organização não governamental de defesa dos direitos humanos paquistanesa registou pelo menos 869 mulheres mortas por «crimes contra a honra» em 2013.

O amor, neste caso, foi o crime de Farzana Parveen. Depois de viver um namoro de anos com Mohammad Iqbal, decidiram casar. O marido revelou que «eles estavam apaixonados» e que a mulher «estava grávida de três meses».

A família nunca aceitou o casamento, que no Paquistão costumam ser arranjados pelas famílias, pelo que fez uma queixa às autoridades de que Iqbal teria raptado a filha.

Mais do que mudar leis que legitimam e desvalorizam estes casos, há um longo caminho na mudança de costumes e mentalidades e defesa dos direitos humanos.

«Matei a minha filha porque ela insultou a família ao casar sem o nosso consentimento e não me arrependo de tê-lo feito», disse o pai de Farzana Parveen e avô do neto que ela carregava na barriga.