Os EUA advertiram, quinta-feira, que a eventual imposição de sanções à Venezuela pode ser «uma ferramenta importante» se não houver «espaço democrático para a oposição».

Caracas, por sua vez, reagiu à advertência condenando uma nova tentativa de intromissão nos assuntos internos e sublinhando que «todas as iniciativas de diálogo que surgiram nos últimos meses são fruto da vontade do Governo venezuelano».

«Nenhum país quer implementar sanções, mas não podemos dizer que não as vamos implementar, porque talvez chegue o momento em que as sanções, de alguma maneira, sejam uma ferramenta muito importante», disse a subsecretária de Estado para o Hemisfério Ocidental, Roberta Jacobson.

A mesma responsável explicou que «se não há movimento, se não há possibilidade de diálogo, se não há espaço democrático para a oposição, claro que se vai pensar nisso (sanções) e estamos a pensar nisso».

Sublinhando que nenhum cenário inclui ações militares, a subsecretária vincou a importância de trabalhar com Governos aliados na região sobre «a maneira de implementar qualquer tipo de sanção ou ação, porque são muito mais eficazes se feitas em conjunto».

Um comunicado do Ministério de Relações Exteriores da Venezuela dá conta que Caracas «condena» esta nova tentativa de «intromissão nos assuntos internos» e de desconhecimento «do processo democrático» venezuelano.

Segundo Caracas, as declarações de Jacobson colocam em causa a Comissão de Ministros dos Negócios Estrangeiros da Unasul «que nos últimos dias participou em numerosas mesas de diálogo com amplos setores da sociedade venezuelana, de todas as tendências políticas».

A mesma nota refere que nessas reuniões foi condenada «a violência que desde há semanas se regista no país, que partiu dos setores que recusam o diálogo e que contam com o apoio do Governo norte-americano».

«As declarações da senhora Jacobson constituem um incentivo para que os pequenos setores extremistas que desde há semanas semeiam violência e terror em toda a população, prossigam as suas práticas num caminho totalmente fora da Constituição e do respeito pelos direitos de todos os venezuelanos», lê-se no comunicado.

Caracas lembra que já reiterou em várias ocasiões o desejo de retomar o diálogo diplomático com os Estados Unidos numa «base do respeito mútuo», mas que «a constante ameaça com sanções, a manipulação dos fatos e o desrespeito pelas leis e processos democráticos não fazem mais que dificultar o entendimento entre ambos governos».

O documento conclui reiterando a «vocação» do Governo venezuelano «para defender a paz e aprofundar o processo democrático» e que Caracas não deixará «que a ingerência de nenhum país desvie o caminho da paz».