O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, afirmou hoje que o ataque com armas químicas na Síria fez 1429 mortos, incluindo 426 crianças, e que o governo sírio foi «com um elevado grau de confiança» o responsável pelo ataque, de acordo com o relatório dos serviços de informações dos Estados Unidos.

Numa declaração na Casa Branca, Kerry disse que é «altamente improvável» que os rebeldes tenham perpetrado o ataque de 21 de agosto e prometeu «não repetir a experiência do Iraque». A divulgação do relatório dos serviços de inteligência está a servir de base para justificar uma eventual intervenção militar norte-americana na Síria, mas Kerry não divulgou qual o próximo passo dos EUA, admitindo apenas que o Governo irá consultar o congresso.

O documento, conhecido esta sexta-feira, surge depois dos inspectores da ONU no terreno terem terminado as inspecções, mas antes de serem conhecidos os resultados. Também hoje a NATO defendeu que o alegado ataque exige uma resposta da comunidade internacional, mas excluiu uma intervenção direta da NATO, declarou o secretário-geral da aliança, Anders Fogh Rasmussen.

«Não vejo papel para a NATO numa reação internacional ao regime» sírio, disse Rasmussen em declarações a jornalistas dinamarqueses citadas pelo jornal Politiken, na sua edição eletrónica. O secretário-geral da NATO considerou a utilização de armas químicas «um ato terrível e horrível».

A linha de contestação ao ataque é aliás a mesma entre a comunidade internacional, mas o mesmo não se poderá dizer sobre a intervenção direta. Esta quinta-feira, o parlamento britânico disse não a um ataque militar, apesar de Cameron insistir que está convicto da culpa de Assad. Pouco depois, a França veio reafirmar que a sua intenção de uma intervenção de França não se altera.

O relatório dos serviços secretos vem acentuar a alegada culpa ao revelar que foi interceptada uma conversa telefónica de um oficial superior do regime com intimo conhecimento do ataque de 21 de Agosto, que terá sido preparado com três dias de antecedência. No documento de quatro páginas, os EUA sustentam «com grande confiança» que o regime sírio foi o responsável pelo ataque de 21 de agosto e que já usou armas químicas em outras ocasiões.

Na sua intervenção Jonh Kerry volta a afirmar que um «crime contra a humanidade» não pode ficar impune e acusa Assad de ser um «bandido e um assassino». O secretário de Estado lembrou ainda que os EUA não estão sozinhos na intenção de fazer a Síria pagar pelo ataque. Pouco depois, o porta-voz do governo canadiano sustentou que «é necessária uma resposta firme», adiantando no entanto, que nenhum plano militar está traçado.

Um eventual ataque deverá ser «cirúrgico e limitado» e não terá como objectivo uma mudança de regime na Síria.