O Presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou hoje que ainda não tomou uma «decisão final» sobre um eventual ataque à Síria, mas admitiu uma ação «limitada» dos Estados Unidos contra o regime de Bashar al-Assad pelo uso de armas químicas. Os EUA divulgaram hoje o relatório o uso de armas químicas na Síria e desvalorizam os resultados das inspecções da ONU.

Afirmando que um recurso a essas armas ameaçaria a segurança nacional norte-americana, Obama insistiu que o mundo não pode aceitar que mulheres e crianças sejam gaseadas, depois de conhecido um relatório dos serviços secretos norte-americanos, segundo o qual 1.429 pessoas morreram, entre as quais 426 crianças num ataque atribuído ao regime sírio nos arredores de Damasco, a 21 de agosto. A Síria já reagiu às acusações, alegando que as afirmações dos EUA são «mentiras e blasfémias» que tentam desesperadamente justificar um ataque militar à Síria.

Obama afirmou que «ninguém está mais cansado da guerra», o Presidente garantiu que «em nenhum caso» os EUA consideram «uma intervenção militar que envolva "botas no terreno", ou uma campanha de longo prazo, mas admitiu que os EUA estão a considerar a possibilidade de atuar de forma «limitada e restrita».

Obama, que falava na Casa Branca antes de participar numa minicimeira com os seus homólogos dos países bálticos, condenou igualmente «a impotência» do Conselho de Segurança das Nações Unidas perante a questão síria uma vez que a Rússia, um forte aliado de Damasco, bloqueou qualquer intervenção.

Já antes Jonh Kerry tinha desvalorizado o resultado das investigações dos inspectores da ONU no terreno, que só deverão ser conhecidas daqui a duas semanas, alegando que os inspectores só vão revelar se houve ou não uso de armas, enquanto os EUA têm provas sobre a autoria do massacre.

«O mandato dos inspectores da ONU não nos vai dizer nada de novo, além do que eu já partilhei com vocês esta tarde ou que nós não saibamos», disse Kerry, reforçando que os EUA não estão sozinhos na vontade de agir.



A divulgação do relatório dos serviços de inteligência está a servir de base para justificar uma eventual intervenção militar norte-americana na Síria. O documento, conhecido esta sexta-feira, surge depois dos inspectores da ONU no terreno terem terminado as inspecções, mas antes de serem conhecidos os resultados. Também hoje a NATO defendeu que o alegado ataque exige uma resposta da comunidade internacional, mas excluiu uma intervenção direta da NATO, declarou o secretário-geral da aliança, Anders Fogh Rasmussen.

Esta quinta-feira, o parlamento britânico disse não a um ataque militar, apesar de Cameron insistir que está convicto da culpa de Assad. Pouco depois, a França veio reafirmar que a sua intenção de uma intervenção de França não se altera.

O relatório dos serviços secretos vem acentuar a alegada culpa ao revelar que foi interceptada uma conversa telefónica de um oficial superior do regime com intimo conhecimento do ataque de 21 de Agosto, que terá sido preparado com três dias de antecedência. No documento de quatro páginas, os EUA sustentam «com grande confiança» que o regime sírio foi o responsável pelo ataque de 21 de agosto e que já usou armas químicas em outras ocasiões. Esta sexata-feira foi divulgado um vídeo de um novo alegado atentado químico, desta vez, no norte da Síria e a uma escola. Pelo menos 10 crianças morreram.

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