O Conselho de Segurança Nacional norte-americano (NSC) confirmou a autenticidade do vídeo divulgado ontem pelos apoiantes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, onde se vê o jornalista James Foley a ser decapitado em retaliação pelos ataques dos EUA no Iraque, avança a Reuters.

Uma porta-voz do NSC confirmou a análise das imagens divulgadas e prometeu mais atualizações assim que for possível.

«A Comunidade de Inteligência dos EUA analisou o vídeo divulgado recentemente, que mostram os cidadãos norte-americanos James Foley e Stevem Sotloff. Chegámos à conclusão que as imagens são verdadeiras. Divulgaremos novas atualizações, assim que estejam disponíveis», afirmou a porta-voz Caitlin Hayden.

O vídeo em questão mostra, além da decapitação de Foley, um outro jornalista, Steven Soltoff, também dado como desaparecido, e que será a próxima vítima dos rebeldes, caso Barack Obama não desista dos ataques aéreos.

As imagens em questão foram publicadas esta terça-feira no «Youtube», mas já foram retiradas.

O Presidente dos EUA, Barack Obama, já reagiu à divulgação das imagens e afirma que o Estado Islâmico é um «cancro» e que as ideologias dos seus apoiantes estão «falidas», já que «nenhum Deus apoiaria um ato como este».



«O mundo está chocado com o brutal homicídio de James Foley», disse o Presidente norte-americano, antes de enviar as suas condolências à família da vítima.



Obama afirmou, também, que os EUA vão continuar a fazer o que for preciso para «proteger os seus cidadãos».

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Os Estados Unidos começaram este mês a lançar ataques a veículos e outros alvos do Estado Islâmico, para tentar ajudar o Iraque a combater os rebeldes que entraram no país vindos da Síria e que proclamaram a criação do «novo» califado.

Segundo a Lusa, as forças norte-americanas efetuaram recentemente uma operação para resgatar os reféns norte-americanos nas mãos do Estado Islâmico na Síria, mas fracassaram, anunciaram o Pentágono e a Casa Branca.

«No início do verão, o Presidente Barack Obama deu luz verde a uma operação destinada a resgatar cidadãos norte-americanos sequestrados pelo Estado Islâmico na Síria», refere a presidência em comunicado.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron também já comentou o vídeo em questão, e diz-se chocado pelo alegado envolvimento de um cidadão britânico na morte do jornalista.

«Não identificámos o indivíduo responsável [pela decapitação], mas pelo que vimos é altamente provável que se trate de um cidadão britânico. Isto é profundamente chocante», disse Cameron.



O primeiro-ministro refere-se ao homem que decapitou o jornalista, e que falou durante o vídeo, e que aparenta ter um forte sotaque britânico.

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ONU condena decapitação de James Foley

O secretário-geral das Nações Unidas, Ba Ki-moon, também condenou, esta quarta-feira, a decapitação de James Foley por apoiantes do Estado Islâmico, que considera estar a aterrorizar a população da Síria e do Iraque.

«O secretário-geral condena, nos termos mais sérios, a decapitação do jornalista James Foley, um crime abominável que sublinha a campanha de terror do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que continua a agir contra as pessoas do Iraque e da Síria», afirmou um porta-voz da ONU, Staphane Dujarric.

«Os autores deste e outros crimes horrendos devem ser levados à justiça», afirmou.