A Rússia pode enfrentar sanções adicionais caso proceda à anexação formal da Crimeia ou tome novas medidas militares na Ucrânia. A advertência foi feita, esta segunda-feira, por um alto funcionário da administração norte-americana, noticia a agência Reuters.

Há «provas concretas» de que alguns boletins de voto chegaram «pré-preenchidos», no referendo de secessão de domingo na Crimeia, e que outras anormalidades também foram detetadas, disse um outro alto funcionário dos EUA depois de Washington ter congelado qualquer bem no país e proibido as viagens para o país de 11 indivíduos considerados culpados pelos movimentos russos na Crimeia.

O Presidente norte-americano, Barack Obama, decretou sanções contra 11 altos responsáveis russos e ucranianos, incluindo o Presidente destituído pró-russo Viktor Ianukovich, em resposta ao referendo sobre a integração da península autónoma ucraniana da Crimeia na Rússia.

Sete altos responsáveis russos figuram entre os visados pelas medidas norte-americanas, nomeadamente o congelamento de bens, naquele que é o maior pacote de sanções contra a Rússia desde o fim da Guerra Fria, indicou a administração norte-americana.

Na lista constam os nomes do vice-primeiro-ministro russo, Dmitri Rogozine, da presidente do Conselho da Federação (câmara alta do Parlamento russo), Valentina Matvienko, de dois conselheiros próximos do Presidente russo, Vladimir Putin, e de dois deputados da Duma (câmara baixa do Parlamento russo).

Do lado ucraniano, as sanções de Washington abrangem dois líderes separatistas da Crimeia, o Presidente destituído pró-russo Viktor Ianukovich e um conselheiro do antigo governante.

O anúncio da administração norte-americana ocorreu momentos depois de a União Europeia, através do chefe da diplomacia lituana Linas Linkevicius, ter confirmado a adoção de sanções contra 21 pessoas, russas e ucranianas, consideradas como responsáveis pela reunificação da Crimeia com a Rússia.

Fontes diplomáticas precisaram que as sanções europeias visam 13 responsáveis russos e oito ucranianos pró-russos, como o comandante da frota russa do Mar Negro, Alexandr Vikto, e o líder do governo da Crimeia, Serguey Axionov.

Os líderes europeus avisam ainda que poderão tomar sanções mais duras e contra mais pessoas dependendo dos «novos movimentos do Kremlin». Se a Rússia não desistir do «desafio militar à Ucrânia» a UE irá suspender os acordos económicos com a Rússia e aplicará embargos a sectores vitais para a economia russa, como o setor energético.

Moscovo não se mostra entretanto perturbado com as medidas ocidentais, tendo o Presidente Vladimir Putin convocado para terça-feira uma sessão especial do Parlamento para aprovar rapidamente leis que permitam a anexação da Crimeia.