O estudante paquistanês que morreu na passada segunda-feira numa escola tentou parar um ataque à bomba e pode vir a receber a mais alta condecoração civil do país, revelou o chefe da polícia provincial esta sexta-feira.

Aitezaz Hassan, de 17 anos, não hesitou quando viu o bombista suicida. O homem tentava entrar numa escola de Khyber Pakhtunkhwa, mas o estudante começou a gritar para o deter, assustando-o, e conseguiu chegar perto do bombista, tendo-o atacado na cabeça.

No entanto, a bomba acabou por ser detonada e o jovem acabou por morrer. Outros estudantes e funcionários ficaram feridos, revelou o professor Azmat Ali.

«Apesar de ter perdido o meu querido filho, eu não tenho nenhum arrependimento pelo que ele fez. Ele fez um trabalho heroico e estou orgulhoso da coragem dele», afirmou Mujahid Ali, pai do jovem, à Reuters.

O secretário de um grupo sunita, Lashkar-e-Jhangvi, reivindicou a responsabilidade pelo ataque à escola em Hangu, uma área predominantemente muçulmana xiita. Lashkar-e- Jhangvi acredita que os xiitas são hereges e que deveriam ser mortos.

Jovem vai ser condecorado

Esta sexta-feira, o chefe da polícia provincial, Nasir Khan Durrani, recomendou que o estudante seja homenageado com a mais alta condecoração do país.

Já os jornais publicaram editoriais louvando a coragem de Aitezaz, contrastando com a indiferença do governo diante da militância.

«Pela memória de Aitezaz e de todas as crianças que morreram antes do tempo, alguém do governo tem de lembrar Aitezaz e resistir aos terroristas até que eles não possam prejudicar mais o Paquistão», pode ler-se no editorial do The Nation.

Pai pede que escola mude de nome

Os pais do jovem estudante afirmaram que nenhum funcionário do governo ou político os contatou.

O pai de Aitezaz afirmou que a escola podia receber o nome para transformar o filho num mártir, designação que daria algum alívio financeiro para a sua família.

A mãe, o irmão e as duas irmãs de Aitezaz estão de luto, mas ficaram reconfortados ao saber que ele tinha salvado muitos colegas.

O número de ataques com bombas suicidas aumentou mais de um terço no ano passado, de acordo com um estudo divulgado esta semana pelo Instituto do Paquistão para Estudos de Paz.