Peritos militares acreditam que o avião da Malaysia Airlines que se despenhou, quinta-feira, na Ucrânia, junto à fronteira com a Rússia, pode ter sido abatido por um míssil lançado a partir de uma rampa de lançamento móvel. Estes mísseis de fabrico russo, e que também são utilizados na Ucrânia, são capazes de atingir alvos até 24 quilómetros de altitude. O sistema antiaéreo BUK, que utiliza o míssil SA-11 ou SA-20, é um equipamento da era soviética. O SA-11 tem uma ogiva de 70 Kg, projetada para atingir mísseis de cruzeiro, aviões e «drones» (aviões não tripulados).

De acordo com o canal «Russia Today», há relatos de que uma bateria de mísseis antiaéreos BUK estava operacional, quinta-feira à noite, em território da Ucrânia controlado a Leste por separatistas pró-russos. Enquanto os separatistas são conhecidos por terem outros sistemas antiaéreos no arsenal, só os mísseis SA-11 têm a capacidade de atingir um avião de passageiros que voe acima de nove quilómetros de altitude.

Doug Richardson, editor da Revista Internacional de Defesa «IHS Jane's», disse ao «The Telegraph» que uma bateria móvel de mísseis SA-11 é geralmente composta por três unidades montadas sobre estruturas separadas, constituídas por um radar, uma rampa de lançamento e um sistema de comando. Em circunstâncias normais é capaz de projetar uma imagem sofisticada do tráfego aéreo, permitindo distinguir entre aparelhos inimigos e aeronaves civis.

A rampa de lançamento também pode funcionar por conta própria, embora com muito reduzida sensibilidade do radar. A ter sido usada por um grupo rebelde para abater o avião malaio, é possível que tenha sido incapaz de distinguir entre uma aeronave inimiga e um avião civil. Isto porque os separatistas não têm acesso ao sistema militar de radares do país, que permite distinguir a natureza das aeronaves. Derrubar um avião comercial a uma altitude alta com um míssil terra-ar exigiria armamento sofisticado, que os separatistas dificilmente possuem.

«Uma rampa de lançamento a operar por conta própria dificilmente poderia distinguir um avião de passageiros de uma aeronave amigável ou não», afirmou Richardson. «Obviamente, é muito cedo para dizer neste momento, mas parece ser uma possibilidade neste caso», acrescentou.

Na quinta-feira, os separatistas pró-russos negaram possuir qualquer daqueles sistemas. Mas a agência de notícias AP informou, na quinta-feira à noite, que um dos seus jornalistas viu, ao início do dia, perto da cidade ucraniana oriental de Snizhne, uma rampa de lançamento que se assemelhava ao sistema BUK russo.

Os separatistas em Donetsk invadiram um depósito do exército ucraniano a 29 de junho e afirmaram ter ficado com pelo menos uma arma daquele tipo. Em seguida, postaram no Twitter uma fotografia do sistema de mísseis, que foi eliminada na quinta-feira quando começaram a surgir notícias de que o Boeing 777, com 198 pessoas a bordo, tinha sido abatido.

Há também a possibilidade de que o avião possa ter sido atingido a partir de um BUK nas mãos do Governo, mas Doug Richardson referiu que a maioria dos mísseis terra-ar na posse do exército ucraniano estava estacionada em rampas fixas de lançamento onde estaria intimamente familiarizada com os padrões de tráfego aéreo civil.

As unidades BUK exigem técnicos de operações, que normalmente precisam de vários meses de treino. Richardson avançou ser possível que separatistas pró-russos que tenham feito o serviço militar saibam manejá-las.

A ogiva de um sistema BUK é conhecida como sendo um engenho de proximidade, que é ativado por um radar que informa o detonador quando se está próximo do alvo. Geralmente explode a poucos metros ou dezenas de metros do alvo. A pista está no padrão dos destroços do avião que depende, em parte, da proximidade e do ângulo em que o alvo foi atingido.