Os Estados Unidos vão enviar cerca de 200 militares para participarem num exercício internacional comandado pelos norte-americanos no oeste da Ucrânia, este mês, anunciou o Pentágono, numa demonstração de solidariedade para com Kiev.

A presença de 200 soldados da 173ª brigada aerotransportada vai marcar a primeira deslocação de tropas norte-americanas para a Ucrânia desde o início do conflito entre o governo de Kiev e separatistas pró-russos.

Neste exercício militar internacional, que decorre entre 13 e 26 de setembro, participam, além dos Estados Unidos, mais de uma dezena de países.

O exercício «Rapid Trident 14» estava previsto há muito tempo e vai decorrer na zona de Lviv, oeste da Ucrânia, segundo um comunicado do ministério da Defesa da Polónia.

Com a participação de unidades das Forças Armadas ucranianas, o exercício vai reunir, entre outros, militares alemães, britânicos, búlgaros, espanhóis, estónios, lituanos, moldavos, noruegueses, polacos e romenos.

O exercício realiza-se numa altura em que os Estados Unidos, a União Europeia e a NATO acentuam a pressão sobre a Rússia, que acusam de envolvimento direto no conflito entre o exército ucraniano e rebeldes separatistas pró-russos no leste da Ucrânia.

Declaração conjunta de Obama e Cameron

O presidente norte-americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro, David Cameron, prometeram manter-se unidos no apoio à Ucrânia contra a Rússia, numa declaração conjunta publicada esta quinta-feira no jornal «The Times».

«A Rússia rasgou o livro das regras com a anexação ilegal e autoproclamada da Crimeia e com as suas tropas em solo ucraniano, ameaçando e minando uma nação soberana», escrevem os dois líderes.

«Com a Rússia a tentar forçar um Estado soberano a abandonar o seu direito à democracia e a determinar o rumo do seu futuro na ponta da baioneta, devemos apoiar o direito da Ucrânia a determinou o seu próprio futuro democrático e continuar os nossos esforços para potenciar as capacidades ucranianas», afirmam Obama e Cameron.

O artigo, divulgado antes do início do encontro da NATO no País de Gales, defende que a Aliança deve formar uma presença «persistente» na Europa de leste, apoiada por uma força de resposta rápida de terra, ar, mar e por forças especiais que possam deslocar-se de «qualquer lado do mundo de forma muito rápida».

Os dois líderes apelaram aos restantes membros da aliança, composta por 28 Estados, a alcançarem a meta de aplicarem dois por cento do produto interno bruto em armamento, para mostrar que a «determinação coletiva é tão forte como sempre».

O artigo de opinião avisa ainda que a Grã-Bretanha e os Estados Unidos não irão vacilar na sua «determinação de confrontar» os extremistas do Estado Islâmico a operar na Síria e no Iraque, que mataram dois reféns norte-americanos e ameaçaram assassinar um cidadão britânico.

«Se os terroristas pensam que vamos enfraquecer face às suas ameaças, não poderiam estar mais enganados. Países como a Grã-Bretanha e a América não serão intimidados por assassinos bárbaros», escreveram Obama e Cameron.