Os hispânicos são cada vez mais a «minoria dominante» dos EUA. Com um peso crescente na política e nos negócios, as comunidades latinas da América revelam diferenças entre si, explica Eric Farnsworth.

Em entrevista exclusiva ao tvi24.pt, o vice-presidente (e responsável em Washington) da Americas Society/Council of the Americas não tem dúvidas em apontar o voto latino como «decisivo» para a reeleição de Obama em novembro de 2012 e aponta uma «evolução» no comportamento dos republicanos para com as comunidades hispânicas.

No entanto, este antigo elemento da equipa de Bill Clinton na Casa Branca, e do Departamento de Estado, profundo especialista na América Latina e nas relações dos EUA com os países de maioria hispânica, identifica uma discrepância entre «uma vontade nacional, mesmo junto dos eleitores republicanos, em aprovar a reforma da imigração e a opção local dos congressistas em manterem-se contra, para preservar o seu lugar».

Exclusivo tvi24.pt.

O voto latino foi decisivo para a reeleição do Presidente Obama, em novembro de 2012?

Sim, claramente. E a maior parte dos observadores prevêem que os hispânicos vão fornecer o voto flutuante decisivo nas presidenciais de 2016, também. Essa é uma razão pela qual o Partido Republicano, que perdeu o voto hispânico por larga margem em 2012, tenha vindo a reavaliar a sua posição em torno da Reforma da Imigração, um interesse fundamental para a comunidade hispânica dos Estados Unidos. E explica também os esforços que, nos últimos anos, o Partido Republicano tem feito, no sentido de eleger representantes seus em cargos importantes, com ascendência latina, como Marco Rubio (ndr: senador da Florida), Ted Cruz (senador pelo Texas) ou Susana Martinez (governadora do Novo México), entre outros.

Depois de George W. Bush ter tido bons resultados junto dos hispânicos nas eleições presidenciais de 2000 e 2004, o que correu mal com McCain em 2008 e, especialmente, com Romney em 2012 (cerca de 27/29% do voto latino, apenas)?

O Presidente Bush era do Texas e isso ajudava-o a perceber as contribuições fortíssimas que os hispânicos dão à economia norte-americana e à própria construção da sociedade americana como um todo. Ele promoveu e atualizou uma plataforma de imigração e, de forma intencional, apontou o México como país prioritário e chave na sua estratégia de política externa, pelo menos até que a agenda da segurança se tivesse sobreposto a tudo na sua presidência. McCain é também de um estado de fronteira, o Arizona, e também teve no seu percurso político uma abordagem positiva da imigração e do relacionamento comercial com o México. O problema é que, para obter a nomeação presidencial, McCain ele aproximou-se da tese «secure the border first» e não da ideia de «recompensar» os imigrantes por violarem as leis americanas sobre imigração, oferecendo uma amnistia ou um caminho rumo à legalização como cidadãos americanos.

Influência excessiva do Tea Party?

Sim, a ascensão do Tea Party, nos últimos anos, explica um pouco este caminho. Afetou o «caucus» republicano. Com Mitt Romney, a explicação é essa. Independentemente das suas visões pessoais, para obter a nomeação teve que tomar posições sobre a Imigração que comprometeram as suas hipóteses na comunidade hispânica. Tanto McCain como Romney foram forçados a endurecer as suas posições nas primárias. Na eleição geral, contra Obama, foram rotulados como «anti-imigração» e custou-lhes muitos votos na comunidade hispânica.

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