Os hispânicos são cada vez mais a «minoria dominante» dos EUA. Com um peso crescente na política e nos negócios, as comunidades latinas da América revelam diferenças entre si, explica Eric Farnsworth.

Em entrevista exclusiva ao tvi24.pt, o vice-presidente (e responsável em Washington) da Americas Society/Council of the Americas não tem dúvidas em apontar o voto latino como «decisivo» para a reeleição de Obama em novembro de 2012 e aponta uma «evolução» no comportamento dos republicanos para com as comunidades hispânicas.

No entanto, este antigo elemento da equipa de Bill Clinton na Casa Branca (década de 90) e do Departamento de Estado, profundo especialista na América Latina e nas relações dos EUA com os países de maioria hispânica, identifica uma discrepância entre «uma vontade nacional, mesmo junto dos eleitores republicanos, em aprovar a reforma da imigração e a opção local dos congressistas em manterem-se contra, para preservar o seu lugar».

Exclusivo tvi24.pt.

Além de Florida, Texas e Colorado, em que outros estados são os latinos especialmente relevantes (politicamente, eleitoralmente, nos negócios, na sociedade em geral...)

Os estados fronteira com o México, todos eles, têm importantes comunidades latinas (California, Arizona, Novo Mexico, Texas). Também a Florida, Nova Iorque, Illinois, Pensilvânia e outros. De forma crescente e acentuada, os hispânicos estão a fazer o seu caminho rumo à classe média e a ajudar a revitalizar comunidades que estavam a ver a sua população regredir nos últimos anos, na última geração. Eles seguem os empregos, que são geralmente na agricultura e no setor dos serviços. O Sul profundo e o Midwest são duas áreas de novo crescimento dos hispânicos na América. No entanto, há diferenças na comunidade hispânica e nem todas as populações são iguais. A história e os interesses dos cubano-americanos são diferentes dos mexicano-americanos; os centro-americanos têm um «background» diferente dos caribenhos ou dos sul-americanos. Em Washington, a primeira vaga de comunidades migrantes provém da América Latina e da América Central (El Salvador, Nicarágua, Honduras) e também da Bolívia. Por isso, esse impacto difere muito.

A América ainda é maioritariamente WASP na sua demografia. Mas¿ continuará a ser muitos mais anos?

A América está em pleno período de profundas transformações sociais e demográficas. Algumas comunidades estão a mudar mais depressa que outras, mas a um nível macro o país já não é facilmente definível. Há um facto importante a reter: pela primeira vez na história não há «WASP» no Supremo Tribunal e nem o Presidente nem o Vice-Presidente são «WASP», White Anglo-Saxon Protestants (ndr: Joe Biden é branco anglo-saxónico, mas é católico, não é protestante). As mudanças estão já a acontecer.

Leia ainda nesta entrevista:A América em transformação; Marco Rubio possível primeiro latino na Casa Branca; o dilema dos congressistas republicanos; América, país de Imigração