É uma singularidade, mas Itália não cessa de surpreender no terreno da política. Depois do sucesso do Movimento «Cinco Estrelas» de Beppe Grillo, surge mais uma candidatura surpreendente que parece também estar a reunir apoio popular. Chama-se «A outra Europa com Tsipras» e sim, Tsipras é o nome de Alexis Tsipras, o líder do Syriza, da Grécia.

A lista ao Parlamento Europeu surgiu por apelo de um grupo de intelectuais de esquerda (Andrea Camilleri, Paolo Flores d'Arcais, Luciano Gallino, Marco Revelli, Barbara Spinelli e Guido Viale) e o nome foi ratificado após votação online de cerca de 18 mil cidadãos. O objetivo do projeto é dar voz à sociedade civil e às associações, tendo como base o apelo de renovação europeia lançado por Tsipras, o candidato da Esquerda Europeia à presidência da Comissão Europeia.

Os signatários pedem o fim imediato da austeridade, a expansão dos empréstimos às pequenas e médias empresas e a luta contra o desemprego. São estes os três vetores essenciais do programa apresentado pelo líder grego e seguidos pela lista italiana, que acredita nesta saída para a crise.

A abrangência da ideia já reuniu apoio do SEL (Esquerda Ecologia Liberdade), da Refundação comunista e do PdCI (Partido dos Comunistas Italianos), embora o deputado Gianni Melilla (do SEL) já tenha afirmado o seu apoio ao socialista Martin Schulz. De qualquer forma, a esquerda mais radical está entusiasmada com a ideia e está disposta a apoiar o projeto.

Na primeira sondagem nacional realizada deste que a ideia foi apresentada à sociedade «A outra Europa com Tsipras» regista números expressivos: 7,2%. O estudo de opinião foi realizado pela empresa Ixè para o programa «Agora», da televisão Rai 3.



No topo das preferências em Itália o Partido Democrático continua na frente, com 27,6%, mas seguido de muito perto pelo Movimento 5 Estrelas (mais 1,2% do que na última sondagem). A Forza Italia também cresce (21,7% para 22,4%), assim como a Liga Nord (dos 3,7% para os 4,8%).

Alexis Tsipras tem vindo a operar um crescimento sustentado no seu país e deverá vencer as próximas eleições europeias. As últimas sondagens têm-lhe dado vantagem sistemática, com uma média de 29,83%, contra os 27,13% da Nova Democracia.

#EP2014 é autoria de Filipe Caetano, doutorando em Ciência Política no ISCTE-IUL