O primeiro grande estudo que reúne as sondagens nos 28 estados-membros dá vitória ao centro-esquerda nas Eleições Europeias de Maio. Caso isso aconteça será a primeira vez desde 1994 que o grupo S&D (Socialistas e Democratas) terá mais deputados no Parlamento Europeu e, em consequência, Martin Shulz ganha vantagem na corrida pela presidência da Comissão Europeia.



Segundo o PollWatch, o S&D (família política do PS) ficará com 217 lugares, num total de 751 deputados (atualmente tem 194 em 766). O grande derrotado será o PPE (Partido Popular Europeu), onde estão PSD e CDS-PP, que reduz de 288 para 200 e deixará de ser o maior grupo político no Parlamento. Como um grupo sozinho não consegue maioria, o mais certo é que voltem a entender-se, mas agora com vantagem para o centro-esquerda. Ainda assim, a diferença é tão curta que tudo é possível nos próximos meses.

Os especialistas da PollWatch advertem para a a hipótese da extrema direita poder formar um grupo que inclua a Frente Nacional (França) e o Partido da Liberdade (do holandês Geert Wilders), com expressivos 38 lugares, o dobro da expressão atual. Para além disso, o Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), pode eleger 18 deputados, mais cinco do que em 2009.

O grupo dos liberais (ALDE) deve alcançar os 70 eurodeputados, a esquerda (GUE-NGL) onde estão CDU e Bloco de Esquerda 56, os Verdes (Greens/EFA) 44, os reformistas e conservadores (ECR) 42. Simon Hix, da London School of Economics, reconhece que será «uma corrida muito renhida sobre quem vai ser o maior grupo no Parlamento Europeu».

Se partirmos por países verificamos que em Portugal há um empate entre PS (9 deputados) e PSD/CDS (9), com a esquerda a dividir os restantes três lugares (dois para a CDU e um para o Bloco). Sabendo que Portugal perde um deputado tudo indica que o BE é o mais prejudicado, dado quem em 2009 elegeu três (o PS tinha sete, enquanto PSD tinha 8, o CDS e a CDU dois cada).

Em Espanha a vitória deve ir para o Partido Popular, com 19 lugares, deixando o PSOE na segunda posição, com 17 deputados. A Esquerda Unida deverá chegar aos 6.

França apresenta um cenário bem diferente, com o triunfo da Frente Nacional, com 22 deputados. A UMP vem logo a seguir com 18 e o Partido Socialista só é terceiro, com 14. A crise dos socialistas é ainda mais grave na Grécia, com o PASOK a ser reduzido a um deputado, enquanto o Syriza alcança o triunfo, com 7 lugares contra os seis da Nova Democracia.

Registo ainda para a situação em Itália, onde o movimento Cinco Estrelas, de Beppe Grillo, chega aos 18 lugares, ficando apenas atrás do Partido Democrático (22). A Forza Italia fica-se pelos 15.

Olhando para os 28 países o centro-esquerda do S&D só vence claramente em Inglaterra (Partido Trabalhista), Croácia (Partido Social Democrata), Roménia (Partido Social Democrata), Eslováquia (Direção - Social Democracia) e Lituânia (Partido Social Democrata), sendo provável que o PS de Seguro vença em Portugal.

#EP2014 é da autoria de Filipe Caetano, doutorando em Ciência Política no ISCTE-IUL