O primeiro doente britânico infetado com o vírus mortal ébola está a ser tratado com a droga experimental ZMapp, num hospital de Londres. William Pooley, de 29 anos, encontra-se numa unidade de isolamento, no hospital Royal Free, em Hampstead, após ter sido internado na noite de domingo. Fonte do hospital, citada pela imprensa britânica, afirma que o paciente está «sentado na cama e conversa com os enfermeiros e os médicos que cuidam dele».

William Pooley, enfermeiro voluntário na Serra Leoa, foi transportado para o Reino Unido, num avião da força aérea britânica especialmente equipado para o efeito, de um hospital em Kenema, onde contraiu a doença quando tratava pacientes com ébola.

A droga experimental ZMapp é vista por alguns como sendo a «cura» para o ébola depois de dois norte-americanos infetados com o vírus terem sido tratados com sucesso após tomarem o medicamento.

«Ele está ciente que lhe administrámos o tratamento ZMapp. É um medicamento experimental, tornámos isso absolutamente claro nas nossas conversas com ele», afirma o consultor e diretor clínico para as doenças infeciosas no hospital londrino. «O que se tornou evidente para nós é que ele é claramente um jovem bastante resistente e notável», acrescenta Michael Jacobs, citado pela Sky News.

William Pooley recebeu a primeira dose de ZMapp na segunda-feira e mais doses lhe irão ser administradas «no tempo devido», refere a equipa médica. O estado do paciente é considerado pelos medicos como «muito estável». «Estamos a dar-lhe o melhor atendimento possível. No entanto, os próximos dias serão cruciais. A doença tem um curso variável e saberemos muito mais daqui a uma semana», afirma Michael Jacobs.

Um homem «extraordinário»

William Pooley, natural de Woodbridge em Suffolk, esteve a trabalhar como voluntário na prestação de cuidados paliativos na missão da ONG Shepherd's Hospice, na Serra Leoa, de março a julho de 2014.

O enfermeiro pediu depois para ser transferido para o Hospital Público de Kenema, onde serviu na ala de tratamento do ébola, depois de ter sabido que os pacientes estavam a ser abandonados após a morte de profissionais de saúde vítimas do vírus.

Gabriel Madiye, diretor-executivo da ONG Shepherd's Hospice, citado pela BBC News, conta que Pooley tinha consciência dos riscos, mas estava determinado a trabalhar lá. «Nós consideramo-lo um herói», afirma Madiye. «Alguém que se sacrifica para prestar cuidados de saúde em circunstâncias muito difíceis, quando os nossos próprios [da Serra Leoa] profissionais estão a fugir», remata.

A caminho de uma cura para o Ébola?

Kent Brantly, de 33 anos, e Nancy Writebol, de 59, que colaboram com a ONG Samaritan's Purse, foram os primeiros pacientes infetados com Ébola curados com o fármaco experimental ZMapp. Os norte-americanos, um médico e uma missionária, contraíram o vírus enquanto trabalhavam num hospital na Libéria e foram enviados para Atlanta, nos EUA. Ambos receberam alta no fim de julho, abrindo uma janela de esperança para a cura do surto de Ébola.

O fármaco ZMapp, oriundo da plantação de tabaco, foi também aplicado em Miguel Pajares, um padre espanhol, que acabaria por morrer. Na Libéria, um dos três médicos africanos infetados com o ébola e tratados com ZMapp morreu na Monróvia, na segunda-feira, refere a Reuters.

O ZMapp foi desenvolvido pela companhia de biotecnologia norte-americana Mapp Biopharmaceutical, que antes de Kent Brantly e Nancy Writebol ainda não tinha realizado qualquer experiência com a administração em humanos. Apenas quatro macacos infetados com o Ébola sobreviveram depois de terem recebido o tratamento, 24 horas depois da infeção. Dois outros sobreviveram graças ao mesmo tratamento, mas administrado 48 horas depois da infeção. Um outro, que não foi tratado morreu ao quinto dia. Criado a partir dos anticorpos de ratos infetados com o ébola, o ZMapp impede que o vírus penetre e infete novas células.