O diretor artístico da companhia de bailado do Teatro Bolshoi, em Moscovo, que foi atacado com ácido em janeiro, voltou esta terça-feira ao teatro para se reencontrar com a companhia no início de uma nova temporada de espetáculos. Após quase nove meses de convalescença, Sergei Filin anunciou que deseja conciliar a vida profissional com a reabilitação das lesões.

«O meu tratamento médico ainda não terminou. Os meus dois olhos estão sob observação», declarou Filin aos jornalistas.

De acordo com a agência EFE, Sergei Filin regressou no sábado à Rússia vindo da Alemanha, onde foi submetido a 23 operações para recuperar a visão. O diretor do ballet Bolshoi revelou que terá de ser submetido a novas cirurgias no futuro.

«Haverá épocas em que terei que me ausentar por mais tempo, cinco ou seis dias, principalmente em casos de cirurgia. Ainda temos várias operações planeadas», afirmou.

A porta-voz do Bolshoi, Yekaterina Novikova, explicou que «o trabalho de Filin dependerá do seu estado de saúde».

«Vejo o suficiente para me sentir seguro de mim mesmo», acrescentou o diretor.

Sergei Filin recuperou 80% da visão do olho esquerdo, mas não do direito, com o qual quase não vê. O diretor artístico participou, esta terça-feira, na seleção dos bailarinos da companhia para a nova temporada.

«Assim que Sergei estiver oficialmente são e em condições de assinar documentos, sentar-nos-emos e discutiremos todas as questões, incluindo quem dirigirá a companhia de ballet», declarou Vladimir Urin, diretor-geral do Bolshoi. Por enquanto, Galina Stepanenko continuará a exercer a função de diretora interina da mítica companhia de bailado.

«Estou bem, de outro modo não poderia nem ter voado», assegurou Sergei Filin. «Pouco a pouco vou melhorando. Eu consigo vê-los. O olho esquerdo foi estabilizado. Com ele, eu posso ver o que se passa no palco e voltar ao trabalho», referiu o diretor artístico na chegada à capital russa no último sábado.

O diretor artístico do Teatro Bolshoi ficou praticamente cego devido ao ataque de que foi alvo na noite de 17 de janeiro 2013, quando um homem, contratado pelo bailarino Pavel Dmitrichenko, solista da companhia, o atacou com ácido.

Num vídeo divulgado em março pelo Ministério russo do Interior, Pavel assumiu o papel que desempenhou no ataque. Nas explicações para o motivo do crime estiveram as rivalidades e as invejas da companhia, tendo o solista acusado o diretor de o ter como segunda e terceira escolhas na companhia. Pavel Dmitrichenko considerou ainda que a esposa, a bailarina do Bolshoi Angelina Vorontsova, também era relegada para segundo plano.