O deputado mexicano Cuauhtémoc Gutiérrez foi expulso do PRI - Partido Revolucionário Institucional na sequência de um escândalo sexual, em que contratava secretárias para o seu gabinete para relações sexuais.

Uma investigação jornalística, após duas denúncias, revelou o esquema, que começava com um anúncio no jornal «El Universal». A oferta de emprego dirigia-se a «pessoal feminino para gabinetes governamentais, entre os 18 e os 32 anos, com disponibilidade de horário» a troco de 600 euros mensais.

Foi assim que Cuauhtémoc Gutiérrez, também conhecido por «Rei do lixo», construiu o seu harém de jovens com dinheiro dos contribuintes.

Uma jornalista fez-se passar por uma das candidatas, respondendo ao anúncio. Com um microfone oculto, gravou todas as exigências, desde o pedido para se apresentar na entrevista vestida de maneira formal «mas com sapatos de salto alto e vestidos para mudar de roupa no escritório».

Uma secretária do deputado explicou-lhe, depois, que «entre as suas atividades, consta sexo oral ou vaginal» e que deveria tratar o patrão de maneira carinhosa «sempre com beijos, como se fossem amigos há muito tempo». Além disso, era avisada de que poderia ser chamada de noite para encontros íntimos na residência do deputado.

«Mas isso é só ele quem decide», ouve-se na gravação, citada pelo El País. «Não é diário e não a vai levar para um hotel para fazer consigo o que quiser», esclareceu ainda a mulher.

Cuauhtémoc Gutiérrez, de 46 anos, nega tudo e estica o dedo na direção do PRD - Partido da Revolução Democrática, no poder na Cidade do México. Diz que não passa de uma manobra para desviar a atenção sobre a corrupção.

Filho de Rafael Gutiérrez, histórico líder dos lixeiros da capital mexicana, que foi assassinado pela mulher, Cuauhtémoc herdou a fortuna e o vínculo ao poder num partido no qual se filiou aos 14 anos.