Algumas partes de gravações de conversas privadas entre Nicolas Sarkozy e os seus conselheiros foram divulgadas nesta quarta-feira pela comunicação social francesa. Patrick Buisson é o homem de quem se fala.

Quem gravou as conversas, sem autorização das pessoas presentes, foi um então conselheiro do ex-Presidente francês, o controverso Patrick Buisson, que agora se defende, dizendo que o fazia apenas para memória futura, com o objetivo, por exemplo, de preparar reuniões posteriores, segundo a imprensa francesa. Até hoje, negava a existência daquelas gravações.

As conversas gravadas em 2011, incluindo no Palácio do Eliseu, foram divulgadas pelo semanário satírico «Le Canard enchaîné» e pelo «site» «Atlantico», que escreve em título «Sarkoleaks». Quem as fez chegar aos jornais, não se sabe, mas Buisson fazia os registos sonoros com telemóveis e gravadores.

Uma das reuniões gravadas, e agora transcrita pelo «Le Canard enchaîné», ocorreu no dia 27 de Fevereiro de 2011, precisamente no Eliseu, horas antes de Sarkozy anunciar uma remodelação do Governo. Aqui, um dos alvos do então chefe de Estado são os jornalistas. O «Atlantico», por seu lado, divulga quatro registos sonoros gravados um dia antes, em Versalhes, sendo que o tema é o mesmo.

Da extrema-direita ao Eliseu

«Como era uma parte essencial naquelas reuniões», Buisson «não podia tomar notas» e, por isso, «utilizava estes registos para preparar a reunião seguinte», afirma, em comunicado citado pela AFP, Gilles-William Goldnadel, advogado do antigo jornalista do semanário de extrema-direita «Minute».

O mesmo causídico refere ainda que todas as gravações já foram «destruídas», exceto as agora divulgadas, que diz terem sido «roubadas» e utilizadas de forma «perversa».

O «Le Monde» diz ter contactado Buisson, mas que o antigo assessor não fez qualquer comentário sobre este caso. Por outro lado, o mesmo jornal escreve, sem citar fontes, que Sarkozy está «furioso» e que se sente «traído».

Patrick Buisson, segundo escreve o «Libération», teve um papel central na campanha presidencial de Nicolas Sarkozy em 2012, sendo acusado de influenciar a política francesa com as teses da sua família política de origem, a extrema-direita.