A Polícia Científica espanhola reviu para 78 o número total de vítimas mortais do acidente ferroviário em Santiago de Compostela, permanecendo ainda seis corpos por identificar, divulgou hoje aquela força, em conferência de imprensa.

Esta revisão, que reduziu o número total de mortos de 80 para 78, foi explicada pela análise forense aos restos mortais retirados do local do acidente, dada a violência do choque e da explosão que se seguiu.

Nas últimas horas, este processo de investigação permitiu concluir que, em alguns casos, se tratavam afinal de partes do corpo da mesma vítima, acrescentou aquela força policial em conferência de imprensa, realizada hoje.

No Hospital, um dos clínicos esclareceu, pelas 13:00, que há de momento 131 feridos, 42 estão ainda internados, 30 em estado grave, 27 são adultos e três são crianças espanholas. Uma das crianças que estava em estado muito grave está já livre de perigo e foi transportada para os cuidados intermédios. A mesma fonte adiantou que os feridos são de seis países: Espanha, Venezuela, Colômbia, Reino Unido e Peru.

O condutor do comboio está detido desde quinta-feira ao final do dia, mas ainda não foi ouvido, anunciou hoje o chefe da polícia da Galiza. «Ele está detido desde ontem (quinta-feira) às 20:00 (19:00 em Lisboa)», declarou Jaime Iglesias em conferência de imprensa.

«É suspeito de crimes ligados ao acidente», mas «ainda não foi ouvido», o que deverá acontecer «muito em breve», acrescentou a mesma fonte. O maquinista será ouvido assim que os médicos derem autorização e deverá ser acusado de «imprudência» e 78 homicídios dolosos.

O presidente da Renfe precisou que o Francisco José Garzón Amo tinha passado pelo local 60 vezes, mas o que levou o maquinista a não travar depois do alarme de excesso de velocidade ter sido acionado é ainda um mistério.

O maquinista era conhecido por gostar de acelerar tendo assumido o excesso de velocidade não só na sua página pessoal do Facebook, como também nas conversas gravadas com a central depois do embate. No mesmo registo, transcrito pela imprensa espanhola, o maquinista terá dito, depois de saber das mortes dos passageiros, que também ele «queria morrer».