Um tribunal na China condenou à morte um homem acusado de matar uma menina de dois anos, em Pequim, durante uma discussão por causa de uma vaga de estacionamento. A notícia é avançada pela agência estatal chinesa Xinhua.

Tudo aconteceu em julho. Han Lei, de 39 anos, estava a tentar estacionar o carro numa rua. Um carrinho de bebé levado por uma mulher bloqueava-lhe o caminho. Han Lei gritou à mulher para afastar o carrinho. Como ela não o fez logo, o homem saiu, pegou na criança e atirou-a ao chão. Além do ataque à menina, o homem agrediu a mãe. Han Lei fugiu, mas foi preso pouco tempo depois. A menina morreu devido às lesões.

Durante o julgamento, que começou a 16 de setembro, Han Lei alegou que o homicídio foi acidental: explicou que estava bêbado e pensara tratar-se de um carrinho de compras. Os juízes não aceitaram a desculpa. De resto, teria sido difícil, com o enorme escândalo gerado pelo crime e o grande volume de comentários agressivos na internet.

De acordo com a imprensa estatal, à revolta que um ato desse género provoca, soma-se o ressentimento crescente em relação à arrogância de certos motoristas. São muitas vezes novos-ricos sem educação e com um forte sentido de superioridade em relação ao cidadão comum.

No julgamento, Li Ming, um homem que ajudou Han Lei a fugir, foi condenado a cinco anos de prisão, por cumplicidade.

Prevista na Constituição, a pena de morte ainda é recorrente na China, país que lidera mundialmente o número de execuções de prisioneiros, referem entidades de defesa dos direitos humanos, citadas pela BBC. A punição aplica-se a crimes graves, como homicídios, mas também está prevista para o tráfico de drogas.

De acordo com a organização humanitária Dui Hua Foundation, com sede em São Francisco, nos EUA, a China teria executado, em 2009, cinco mil prisioneiros, mais do que todos os outros países do mundo juntos. O número verdadeiro, no entanto, é considerado um segredo de Estado.