A coleção de arte com mais de 1.400 pinturas descoberta em Munique (Alemanha), no apartamento do filho de um negociante de arte durante o regime nazi, inclui obras desconhecidas de Chagall e Dix, anunciou a polícia alemã.

Numa conferência de imprensa realizada hoje em Augsburgo, as autoridades alemãs revelaram as primeiras informações de uma operação que esteve mantida em segredo durante mais de um ano: a descoberta de uma vasta coleção de obras de arte num apartamento, em Munique, de Cornelius Gurlitt, filho de Hildebrand Gurlitt, negociante de arte muito bem relacionado com figuras do regime nazi.

A coleção, com 1.285 telas e 121 emolduradas, poderá valer mais de mil milhões de euros e inclui obras de arte cuja existência não estava documentada, como uma pintura alegórica de Marc Chagall e um autorretrato de Otto Dix e cujas imagens foram hoje apresentadas.

Meike Hoffman, investigadora da Universidade Livre de Berlim, explicou que a coleção inclui obras dos pintores «clássicos modernos» que foram confiscadas pelos nazis no final dos anos 1930 e pinturas representativas sobretudo do século XIX.

A coleção inclui obras de Henri Matisse, Max Liebermann, Picasso, Renoir, Macke, Courbet, entre outros.

Cornelius Gurlitt não foi ainda acusado de qualquer crime nem foi detido pelas autoridades, que desconhecem o seu paradeiro.

Hildebrand Gurlitt foi um dos negociantes de arte autorizados pelo regime nazi a vender obras confiscadas dos museus e de colecionadores alemães por serem consideradas «arte degenerada», ou seja, de correntes artísticas como o cubismo, o surrealismo ou o expressionismo.

No entanto, muitas das obras de arte encontradas no apartamento do filho, atualmente com 79 anos, podem ainda ter sido confiscadas pelos nazis aos judeus em troca de uma autorização para sair do país.