As autoridades chinesas anunciaram a abertura de 25 novos postos para recolher de forma segura bebés abandonados pelos pais. Estes são largados numa estrutura equipada com incubadora e alarme.

O sistema destinado a receber bebés indesejados, mantendo o anonimato dos pais, já existe no país, mas, mesmo assim, o anúncio suscitou críticas de que pode encorajar o abandono de recém-nascidos.

Os defensores veem, no entanto, a medida como uma forma de aumentar as possibilidades de sobrevivência dos bebés rejeitados. Alegam que, se não existisse, continuariam a ser largados na rua.



As autoridades chinesas afirmam que, na maioria, os bebés abandonados nestes postos têm problemas de saúde e são deixados porque os pais receiam não ter meios para pagar o tratamento médico.

Antes de ser criado este sistema, apenas um em cada três recém-nascidos abandonados sobrevivia.

O primeiro posto foi inaugurado em 2011 na cidade de Shijiazhuang, na província de Hebei. A maior parte, contudo, foi inaugurada nos últimos meses.

Um destes postos, na cidade de Cantão, recebeu 79 bebés em apenas duas semanas de funcionamento.

Os pais colocam o bebé na «caixa», pressionam o botão de alarme e vão-se embora sem ser vistos pelos funcionários que recolhem a criança.

O sistema chinês é semelhante à «roda dos enjeitados» que em Portugal servia para recolher recém-nascidos abandonados, muitas vezes para «lavar a desonra» de famílias que assim se livravam de filhos ilegítimos sem serem identificadas.

Legalmente, o sistema, criado na Idade Média, existiu no país até 1867, mas, na prática, manteve-se ainda durante décadas.

No passado, na China, a política de filho único foi considerada culpada pelo alto número de meninas abandonadas pelos pais, dado que era dada preferência aos filhos do sexo masculino.

Atualmente, no entanto, segundo as autoridades, os bebés que são abandonados são tanto meninas como meninos.

Números oficiais indicam que por ano são abandonados na China cerca de 10 mil bebés.