Uma intervenção militar norte-americana na Síria não seria favorável aos interesses dos Estados Unidos, afirmou o chefe do Estado Maior norte-americano, general Martin Dempsey, numa carta a que a AFP teve acesso na quarta-feira.

O general Dempsey justificou que os rebeldes sírios não apoiam os interesses de Washington.

Na correspondência dirigida, na segunda-feira, ao democrata Eliot Engel, eleito para a Câmara dos Representantes, Martin Dempsey referiu a atomização da oposição síria e o peso dos grupos armados extremistas no seio da rebelião para justificar a sua oposição a uma intervenção, ainda que limitada.

«Considero que o campo que nós escolhemos (apoiar) deve estar preparado para promover os seus interesses e os nossos quando a situação pender a seu favor. Atualmente isso não acontece,» escreveu o general.

Martin Dempsey indicou que os Estados Unidos podem «destruir a aviação síria», descrita como responsável por numerosos bombardeamentos de civis, mas «isso não seria decisivo no terreno militar e envolver-nos-ia, decididamente, no conflito», explicou.

Se a potência norte-americana «pode mudar o equilíbrio militar» na Síria, «ela não pode resolver os problemas históricos étnicos, religiosos e tribais subjacentes que alimentam o conflito», advertiu.

Os problemas na Síria têm «raízes profundas», acrescentou, ao referir tratar-se de um «conflito de longa data entre múltiplas fações e a luta violenta para o poder continuará depois do fim do regime de Assad», estimou o principal conselheiro militar do Presidente norte-americano, que apela a avaliar o interesse de um envolvimento militar limitado «neste contexto».

O general Dempsey, que na semana passada visitou Israel e a Jordânia, países que fazem fronteira com a Síria, acrescentou que uma intervenção militar americana teria impactos que deixariam os seus aliados e parceiros «menos seguros».

Desde o início do conflito, em março de 2011, Washington fornece apenas uma ajuda não militar aos rebeldes sírios e ajuda humanitária.

Na carta, o general Dempsey diz-se favorável a uma ajuda humanitária a uma «escala bastante maior» do que a existente atualmente.

A administração Obama prometeu em junho um «apoio militar» aos rebeldes, mas não especificou a natureza do mesmo.

Na quarta-feira, Washington pediu uma investigação «urgente» da ONU depois das acusações da oposição síria sobre um ataque químico de grande escala que terá feito 1.300 mortos segundo os rebeldes.