Já não basta ter bens para cabazes alimentares. Têm de ser bens que não precisam de ser aquecidos. Os bancos alimentares começam lidar com outro problema: quem não tem nem dinheiro para a comida nem para o gás ou eletricidade.

O «The Guardian» relata a realidade com que se debatem algumas associações no Reino Unido, mas, pode ser um espelho do que se passa em todos os países em crise.

Para fazer face ao problema, as instituições de solidariedade social criaram os cabazes frios, com bens que não carecem de ser aquecidos, como leite, bolachas, algumas conservas.

Há ainda outro modelo de cabazes com produtos que só necessitam de água a ferver, como é o caso da sopa instantânea.

Há quem visto a companhia cortar-lhe o abastecimento por falta de pagamento ou não possa gastar muito gás porque precisa de se aquecer num país cujas temperaturas de inverno rondam agora, por exemplo, os sete graus, metade dos graus registados em Lisboa esta quinta-feira.

Um estudo encomendado por uma associação de promoção da habitação no Reino Unido, publicado no mês passado, dá conta disso mesmo: o dilema «come ou aquece-te (eat or heat) ganhou maior expressão este ano, com as pessoas a reduzirem os gastos com alimentação para mínimos para conseguir suportar a conta da energia.

Uma das instituições contactadas pelo «The Guardian» já inclui nos cabazes um kit com loiça descartável para as famílias que perderam a casa e vivem em abrigos temporários.

Não é fácil assegurar as necessidades de carne nestes casos, mas garante-se que, pelo menos, possam ir para a cama sem fome. De qualquer maneira, para os bancos alimentares é triste ver sair alguém que não pode fazer sequer um chá quente.